Apesar da proibição da tirzepatida (Mounjaro), conhecida como “canetas emagrecedoras do Paraguai”, continuam a surgir grupos e links nas redes sociais que comercializam esses produtos de maneira ilegal. De acordo com uma decisão publicada no Diário Oficial da União na última quarta-feira (21), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vetou a fabricação, importação, venda, distribuição e promoção da substância, além de ordenar a apreensão dos produtos.
A tirzepatida em questão é das marcas Synedica e TG, e esses itens estão sendo oferecidos em diversos grupos de WhatsApp. A equipe de reportagem da Itatiaia teve acesso a um desses grupos, onde as canetas são vendidas em caixas de isopor e seringas sem as devidas condições de armazenamento. Muitas vezes, as entregas são feitas rapidamente via delivery em várias áreas de Belo Horizonte.
Os preços das canetas variam entre R$ 120 e R$ 400, dependendo da dosagem. Este medicamento, indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, é fabricado pela farmacêutica Eli Lilly, uma das maiores do setor no mundo. Em uma pesquisa online, a reportagem constatou que um tratamento mensal, que inclui quatro canetas, pode custar entre R$ 1,7 mil e R$ 3,6 mil.
Em outro grupo monitorado pela Itatiaia, que possui mais de 600 membros, predominantemente mulheres, um dos vendedores orienta sobre o uso do produto e adverte: “não se pode ingerir bebida alcoólica”; “recomendo começar com 2,5 mg para observar a reação”. Ele também acrescenta: “aguardo seu retorno para fazer seu pedido e o mototáxi entrega na sua casa”.
Ainda nesse grupo, os vendedores oferecem o produto em frascos ou seringas e frequentemente fazem promoções. Um dos vendedores, que gerencia o grupo, afirma: “tenho caixas em promoção, com quatro ampolas e dosagens. Tudo na promoção, meninas, todas magras e irresistíveis. Recebi muitas reposições”.
Os compradores compartilham comprovantes e fotos de antes e depois, enquanto muitas mulheres perguntam sobre a próxima “entrega” e solicitam a inclusão de amigas no grupo clandestino.
Além disso, circulam vídeos gerados por Inteligência Artificial (IA), onde uma mulher virtual, segurando a tirzepatida da marca TG, afirma: “Conheça a tirzepatida, o segredo que está ajudando milhares a emagrecer de forma saudável. Ela reduz a vontade de comer constantemente. Clique agora e descubra como você também pode transformar seu corpo e sua vida”.
A Anvisa justifica sua decisão pela falta de registro dos produtos no Brasil e pela origem desconhecida de sua fabricação, o que representa um risco à saúde pública. O órgão também ordenou a apreensão imediata desses medicamentos, incluindo os lotes da tirzepatida das marcas Synedica e TG produzidos desde 1º de janeiro de 2020. A proibição se estende à retatrutida e a todas as suas marcas.
A Anvisa destaca que a venda e a divulgação desses medicamentos violam a legislação sanitária vigente, e a proibição se aplica a qualquer pessoa, empresa ou meio de comunicação que comercialize ou promova esses produtos.
A reportagem consultou a Polícia Civil, que informou que a venda, importação, distribuição ou comercialização desses medicamentos pode configurar diversos crimes. Dependendo do caso, isso pode incluir contrabando, crimes contra a saúde pública e até associação criminosa, em situações de organização para tal prática.
“A PCMG ressalta que as penas variam conforme a tipificação legal. Além disso, sanções administrativas, como apreensão de produtos, interdição de estabelecimentos e multas, podem ser aplicadas segundo a legislação sanitária em vigor”.
Sobre possíveis investigações, a PCMG afirmou que “os órgãos de fiscalização e persecução penal estão em constante atuação para combater a importação e comercialização ilegal de medicamentos, incluindo aqueles anunciados online ou oferecidos em clínicas e estabelecimentos irregulares”.