Após um período de cinco meses de retração contínua, a indústria gaúcha apresentou uma leve recuperação em novembro de 2025. O Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS) alcançou 94,6 pontos, refletindo um crescimento de 0,5% em comparação a outubro, conforme divulgado pelo Sistema Fiergs na quinta-feira (15). Embora essa melhora seja pontual, o setor ainda enfrenta uma queda de 5,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, novembro de 2024.
Claudio Bier, presidente do Sistema Fiergs, destacou que, apesar do resultado positivo, há uma necessidade premente de mudanças tanto no cenário interno quanto no externo. “Os empresários têm demonstrado resiliência, mas a indústria gaúcha continua sob pressão devido aos altos juros e incertezas fiscais. Sem uma mudança nesse quadro no curto prazo, a recuperação consistente se torna mais desafiadora”, avaliou.
O crescimento mensal do IDI-RS foi impulsionado pelo desempenho positivo da maioria dos indicadores. O faturamento real aumentou 0,7%, as horas trabalhadas na produção subiram 0,3% e as compras industriais cresceram 0,5%, recuperando parte da acentuada queda de 6,8% observada em outubro. Por outro lado, o emprego e a massa salarial real apresentaram retração de 0,2% cada, enquanto a utilização da capacidade instalada (UCI) se manteve estável em 78,1%.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a atividade industrial gaúcha continua sua trajetória de desaceleração, com uma queda de 0,8% no IDI-RS. Este resultado negativo é reflexo da diminuição generalizada dos principais indicadores, como o faturamento real (-2,5%), as horas trabalhadas na produção (-1,5%), a UCI (-1,2 ponto percentual) e as compras industriais (-0,4%). Em contrapartida, os indicadores do mercado de trabalho mostraram resiliência, com um crescimento de 1,2% no emprego e um aumento de 2,6% na massa salarial real.
A performance do setor até novembro foi marcada por uma forte heterogeneidade, com o índice sendo pressionado pelo desempenho negativo de oito dos 15 segmentos analisados. Entre os setores em queda, destacam-se Veículos automotores, que registraram uma diminuição de 10,7%, e Couros e calçados, com recuo de 6,3%. A retração acumulada não foi mais acentuada, em grande parte, devido ao bom desempenho de Máquinas e equipamentos, que avançou 11,4%, além de Tabaco (+12,5%) e Equipamentos de informática e eletrônicos (+7,7%).
Em termos de comparação anual, embora tenha havido um aumento na margem mensal, a comparação entre novembro de 2025 e o mesmo mês de 2024 evidencia uma queda de 5,8% na atividade industrial. Este foi o quinto recuo consecutivo em relação a essa base de comparação e o mais intenso até o momento no ano.
O faturamento real teve uma queda de 10,1%, representando o pior resultado desde julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19. As compras industriais também sofreram uma forte retração de 16,4%, superando apenas o declínio observado durante o desastre climático de maio de 2024.
Além disso, a redução das horas trabalhadas (-2,2%) e a queda de 2,4 pontos percentuais na utilização da capacidade instalada contribuíram negativamente para os resultados. O único aspecto positivo foi o aumento de 2% na massa salarial real, enquanto o nível de emprego permaneceu estável.