O presidente Donald Trump assinou, na quarta-feira (7), um decreto que estabelece a saída dos Estados Unidos de 35 organizações não ligadas às Nações Unidas, além de 31 entidades que fazem parte do sistema da ONU. Em um comunicado emitido pela Casa Branca, a decisão foi justificada com a argumentação de que esses organismos “atuam em desacordo com os interesses nacionais dos EUA”.
A maioria das organizações envolvidas inclui agências, comissões e painéis consultivos relacionados à ONU, focando em temas como mudanças climáticas, direitos trabalhistas e políticas sociais. O governo Trump caracteriza essas iniciativas como parte de uma agenda de diversidade e rotula como “woke”.
Entre as entidades das quais os EUA estão se retirando estão a Entidade da ONU para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Anteriormente, a administração já havia cortado o apoio a outras organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência da ONU para Refugiados da Palestina (UNRWA), o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO.
Desde o início de seu mandato, Trump tem adotado uma abordagem mais restrita em relação ao financiamento das contribuições à ONU, priorizando operações e agências que se alinham à sua agenda política, enquanto corta recursos para aquelas que, segundo o governo, não servem mais aos interesses dos Estados Unidos.
Daniel Forti, analista sênior sobre a ONU no International Crisis Group, comentou: “O que estamos presenciando é a solidificação da política dos EUA em relação ao multilateralismo, que se resume a ‘ou nos seus termos ou não há acordo'”. Segundo ele, essa visão busca a cooperação internacional apenas nos termos de Washington.
Essa postura marca uma mudança significativa em comparação com os relacionamentos que administrações anteriores — tanto republicanas quanto democratas — mantiveram com a ONU. A decisão também pressionou a organização, que já passava por uma reestruturação interna, a implementar cortes de pessoal e a restringir programas.
Organizações não governamentais independentes, algumas das quais trabalhavam em parceria com a ONU, relataram o fechamento de diversos projetos após a decisão do governo americano, no ano passado, de reduzir drasticamente a ajuda externa por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que acabou sendo desativada durante a administração de Trump.
Esta não é a primeira vez que Trump toma medidas para se distanciar de organismos multilaterais. Durante seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, os Estados Unidos também se desvincularam de várias instituições internacionais. Em julho de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, Trump anunciou a retirada do país da OMS, que coordena esforços globais no combate ao coronavírus e no desenvolvimento de vacinas. A saída foi formalizada no ano seguinte.
Na ocasião, o então presidente alegou que a OMS havia sido “coagida” pela China a fornecer “informações equivocadas” sobre a pandemia. “O mundo está sofrendo agora em decorrência das ações erradas do governo chinês”, declarou Trump em maio de 2020.