De acordo com Arlie, o passaporte pode ter sido descoberto em Portugal devido a uma viagem específica. “Em 2010, por conta da retenção do passaporte, eu realmente acredito que isso esteja relacionado ao rumor que circulou na época sobre Eliza ter ido para Portugal e ter tido um relacionamento com Cristiano Ronaldo”, afirmou. Ele destacou, no entanto, que não existem evidências concretas que confirmem essa teoria.
Na última terça-feira (6), o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou à imprensa que recebeu o passaporte de Eliza Samudio. O documento, segundo o consulado, foi encontrado na última sexta-feira (2) e essa informação foi encaminhada ao Itamaraty.
Em nota, o Itamaraty comunicou que o passaporte será enviado para Brasília e ficará disponível para a família, “caso tenha interesse em reivindicar o documento de viagem”.
O caso de Eliza Samudio chocou o Brasil em 2010 e envolveu o goleiro Bruno Fernandes, na época jogador do Flamengo, que foi condenado pelo assassinato da modelo, com quem teve um filho. O corpo de Eliza nunca foi localizado, mas em 2013, a Justiça emitiu uma certidão de óbito.
Arlie revelou que soube da descoberta do passaporte através das redes sociais e que a notícia o afetou profundamente. “Foi algo que me tocou muito. Especialmente porque ontem, dia 5, seria o aniversário do meu pai, então eu já estava emocionalmente abalado”, disse ele.
Ele mencionou que, na época do crime, ainda residia com a mãe e que a família costumava viajar para visitar parentes em Foz do Iguaçu. Depois que Eliza se mudou, eles perderam o contato. “Minha mãe ainda conseguia se comunicar com ela, mas eu realmente perdi esse vínculo por causa da distância”, concluiu.
Em julho de 2010, Eliza foi ao sítio de Bruno em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido dele. Foi durante essa viagem que ela desapareceu. Nas investigações, Bruno alegou que Eliza havia deixado o sítio por vontade própria, abandonando o filho, Bruninho, com uma pessoa conhecida. O menino foi encontrado em uma favela de Ribeirão das Neves, na Grande BH.
Ainda em junho, a Polícia Civil de Minas Gerais considerou Bruno um suspeito pelo desaparecimento de Eliza. As investigações sugeriram que o sumiço da modelo estava relacionado à sua gravidez, que poderia “atrapalhar” o casamento de Bruno e manchar sua reputação, já que ele estava em negociações para se transferir do Flamengo para o Milan, da Itália.
Em 6 de julho de 2010, um jovem de 17 anos, primo do goleiro, foi encontrado na casa de Bruno, no Rio de Janeiro, e revelou ter agredido Eliza. Ela, desacordada, teria sido esquartejada a mando de Bruno, e os restos mortais teriam sido dados a cães da raça rottweiler, que consumiram seu corpo. Os ossos de Eliza teriam sido enterrados em concreto.
A Justiça de Minas Gerais emitiu um mandado de internação para o adolescente que prestou depoimento no dia 6 de julho de 2010 e, no dia seguinte, ordenou a prisão preventiva de Bruno e de mais sete pessoas.
A Justiça do Rio de Janeiro também havia expedido a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como ‘Macarrão’, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza, ocorrido em outubro de 2009. Ambos se entregaram à polícia no Rio e foram transferidos para Minas Gerais, onde o julgamento ocorreu.
O julgamento de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza foi iniciado em Contagem, na Grande BH, mais de dois anos após o desaparecimento de Eliza, em 19 de novembro de 2012.
Bruno foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Ele recebeu o primeiro habeas corpus em fevereiro de 2017, mas dois meses depois, foi novamente preso após decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal.