Em uma entrevista concedida à “CNN Brasil”, Maria do Carmo, que é madrinha do filho da modelo e atua como representante legal da família, destacou de forma categórica que não existem dúvidas sobre o falecimento de Eliza. Ela, que mantém uma relação próxima com os familiares e o filho da vítima desde o trágico ocorrido, expressou que a recente descoberta do passaporte provoca desconforto, mas não altera a firme crença da família sobre o desfecho do caso, enfatizando que não faz sentido considerar a hipótese de Eliza estar viva.
Maria do Carmo, contudo, levantou questões sobre como o documento foi parar em Portugal. Ela descarta a possibilidade de Eliza ter perdido o passaporte e sugere que a Polícia Federal deveria investigar a emissão de uma segunda via e o transporte do documento para o exterior. A família busca esclarecer quem detinha o passaporte original tantos anos após o encerramento do processo criminal.
Até o momento, a Polícia Federal não se pronunciou oficialmente sobre a abertura de uma nova linha de investigação para verificar a origem do passaporte. O Consulado em Lisboa também não disponibilizou informações adicionais sobre quem entregou o documento às autoridades diplomáticas.
Arlie Moura, irmão de Eliza Samudio por parte de mãe, tomou conhecimento da descoberta do passaporte através das redes sociais. “Foi algo que me impactou bastante”, relatou em entrevista à Itatiaia.
Ele mencionou a possibilidade de a situação estar ligada a rumores que circularam na época, os quais sugeriam que Eliza teria ido a Portugal e mantido um relacionamento com Cristiano Ronaldo. Entretanto, ele reafirmou que não há comprovação desse envolvimento.
O caso de Eliza Samudio chocou o Brasil em 2010 e teve como protagonista o ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, que na época jogava no Flamengo. Ele foi condenado pela morte da modelo, com quem teve um filho. O corpo de Eliza nunca foi encontrado, mas a Justiça emitiu a certidão de óbito em 2013.
Em julho de 2010, Eliza foi ao sítio de Bruno, localizado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido dele, e desapareceu durante a visita.
Nas investigações, Bruno alegou que Eliza havia deixado o local por vontade própria, deixando o filho sob os cuidados de um conhecido. O menino foi encontrado em uma favela de Ribeirão das Neves, também na Grande BH.
Em junho do mesmo ano, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apontou Bruno como suspeito do desaparecimento de Eliza, com indícios de que o sumiço estivesse relacionado à gravidez dela, que poderia comprometer o casamento de Bruno e manchar sua imagem, já que ele negociava uma transferência do Flamengo para o Milan, da Itália.
Em 6 de julho de 2010, um primo do goleiro, então com 17 anos, foi encontrado na casa de Bruno, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e relatou ter agredido Eliza. Segundo ele, ela foi esquartejada a mando de Bruno, e os restos mortais foram alimentados a cachorros da raça rottweiler e os ossos foram concretados.
A Justiça de Minas Gerais emitiu mandados de internação do adolescente que prestou depoimento, além da prisão preventiva de Bruno e de outras sete pessoas.
A Justiça do Rio de Janeiro também determinou a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como ‘Macarrão’, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza, que ocorreu em outubro de 2009. Ambos se entregaram à polícia no Rio e foram transferidos para Minas Gerais, onde enfrentaram o julgamento.
O julgamento de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza ocorreu em Contagem, na Grande BH, em 19 de novembro de 2012.
Bruno foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, recebendo uma pena de 20 anos e 9 meses de reclusão. Em janeiro de 2023, a Justiça do Rio concedeu liberdade condicional ao ex-goleiro.
Informações adicionais foram obtidas da CNN Brasil.