O incidente ocorrido com o ex-presidente Jair Bolsonaro na manhã desta terça-feira (6) em sua cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, serviu como um fator motivador para a direita, que intensificou a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) pela concessão de prisão domiciliar ao capitão reformado do Exército. Segundo a ex-primeira-dama, Michelle, Bolsonaro teria caído e se ferido ao bater a cabeça em um móvel durante a madrugada, após sofrer uma nova crise de soluços. Seu filho, Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro, relatou ter encontrado o pai “sangrando nos pés” e com um hematoma no rosto.
Após as revelações, no início da tarde, o Partido Liberal, ao qual Bolsonaro é vinculado, emitiu uma nota de repúdio “veemente” à rejeição do pedido de prisão domiciliar feito após a alta hospitalar do ex-presidente em 29 de dezembro do ano passado. “É inaceitável manter Jair Messias Bolsonaro preso na Polícia Federal”, afirma o comunicado. “Estão detendo um homem de 70 anos, recentemente operado, com saúde fragilizada em razão da facada que sofreu em 2018, em uma tentativa de assassinato político que ainda está sob investigação”, acrescenta a nota, solicitando uma “reconsideração” por parte da Suprema Corte.
Carlos Bolsonaro também manifestou sua insatisfação com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que negou ao ex-mandatário a prisão domiciliar por razões humanitárias. Em outra publicação, ele criticou a justificativa de Moraes, que argumentou que a proximidade entre a Polícia Federal e o hospital garantiria segurança médica suficiente, afastando a necessidade de uma medida humanitária mais abrangente. “Contudo, essa avaliação não se sustenta diante do quadro apresentado hoje”, afirmou.
A militância conservadora se viu mobilizada pelas declarações, reforçando os apelos do partido, de Michelle e de Carlos, e alimentando a narrativa de “perseguição” por parte do STF em relação ao ex-presidente. “Pedimos desculpas pela nossa covardia, pelo temor que silencia tantos de seus apoiadores. O medo nos envolve e nos paralisa, mas a dor é real, cada um a carrega sozinho, em casa, sentindo em seu coração o sofrimento que o senhor enfrenta”, escreveu uma apoiadora no Instagram, em resposta a Carlos.
“Só uma nota oficial não é suficiente. É preciso agir antes que seja tarde demais”, criticou outro usuário em resposta à publicação do Partido Liberal. Moraes, por sua vez, já havia negado o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para que o ex-presidente fosse transferido da cela na Superintendência da Polícia Federal para o hospital para a realização de exames, afirmando que “não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital”. No entanto, o documento ressalta que a defesa, orientada pelo médico particular de Bolsonaro, tem o direito de solicitar a realização de exames, desde que agendados com antecedência e com justificativa específica e comprovada.