O Brasil expressou severas críticas à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, caracterizando a detenção do presidente Nicolás Maduro como um “sequestro”. A declaração foi feita durante uma reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) nesta terça-feira (6), em Washington.
O embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil na OEA, foi quem fez a intervenção. Em seu pronunciamento, ele destacou que a ação norte-americana infringe a proibição do uso da força e evoca momentos críticos de intervenção externa na política da América Latina.
“Os ataques aéreos no solo venezuelano e a captura de seu presidente cruzam uma linha inaceitável. Esses atos configuram uma grave ofensa à soberania da Venezuela e apresentam um risco para a comunidade internacional, criando um precedente extremamente perigoso”, afirmou Belli.
O embaixador também ressaltou que tanto os bombardeios quanto a prisão de Maduro contrariam a Carta das Nações Unidas e os compromissos assumidos pelos países da região. Ele expressou a “profunda preocupação” do governo brasileiro em relação aos desdobramentos, enfatizando os potenciais riscos institucionais e diplomáticos resultantes das ações dos Estados Unidos.
A sessão do Conselho Permanente da OEA, realizada na sede da organização em Washington, contou com a presença dos 35 países independentes das Américas, além de 70 Estados observadores permanentes e da União Europeia. Fundada em 1948, a OEA busca promover a paz, a democracia, a justiça, a solidariedade e a cooperação entre os países do continente, defendendo a soberania, a integridade territorial e a independência de seus membros.