A crescente procura por segundas residências, aliada à escassez de imóveis disponíveis, manteve o mercado imobiliário do litoral de São Paulo em alta em 2025, com preços superando a inflação. Um estudo realizado pela DataZap, setor de inteligência do portal imobiliário Zap, revelou que o preço médio de venda aumentou 5,76% em 12 cidades, enquanto a inflação foi de 4,46%.
De acordo com Paula, “os valores do mercado imobiliário em Bertioga são influenciados pelo bairro Riviera de São Lourenço, que possui imóveis de alto padrão com preços mais elevados.” Em novembro de 2025, por exemplo, o custo do aluguel por metro quadrado na Riviera de São Lourenço alcançou R$ 104, enquanto no centro da cidade o valor era de R$ 50. “Os preços de venda nessas áreas foram, respectivamente, R$ 25.737 e R$ 9.361.”
Além de Bertioga, que ocupa o primeiro lugar tanto em preços de compra quanto de locação, outras cidades também registraram aumentos nos valores de aluguel em 2025. O levantamento da DataZap indicou que, nos 12 meses encerrados em novembro, o preço médio de locação por metro quadrado de imóveis residenciais subiu 7,17%. Ilhabela se destacou com um aumento de 26,62% nesse período, enquanto Peruíbe apresentou uma queda de 23,56%.
“Em termos de locação, Ilhabela e São Sebastião ocupam a segunda e terceira posições, respectivamente, enquanto em vendas, suas colocações se invertem. São Sebastião é semelhante a Bertioga devido à influência da região de Maresias. Os preços em Ilhabela são afetados pelo fato de ser um conjunto de ilhas, o que limita naturalmente a oferta de imóveis,” explica Paula.
O estudo da DataZap foca, principalmente, em anúncios de imóveis usados disponíveis na plataforma Zap. O segmento de imóveis de segunda mão foi impactado pelo aumento nas taxas de juros e pelas novas regras de financiamento da Caixa Econômica Federal, que participa de cerca de 70% dos contratos de financiamento no Brasil. Atualmente, é necessário um pagamento inicial de 35% para a compra de um imóvel usado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, em comparação aos 20% exigidos para imóveis novos.
Fora do programa, que tem taxas de juros mais baixas, o aumento da Selic elevou a taxa média em contratos de financiamento, desestimulando a aquisição de imóveis, especialmente os usados. Dados do Creci-SP até outubro mostram que, no Estado de São Paulo, o mercado começou a mostrar sinais de recuperação apenas em setembro, com um crescimento de 19% nas transações de compra de imóveis ao longo do ano.
Uma pesquisa do Creci-SP, realizada com 38 imobiliárias em 12 cidades, revelou que a maioria dos imóveis teve aumento nos preços de locação para a temporada de final de ano de 2025. O estudo dividiu o litoral em regiões norte, central e sul.