Após um período de negociações complicadas entre a administração municipal de Fortaleza e as companhias de ônibus, e com a confirmação de um aumento nas tarifas a partir de 1º de janeiro, a frota de transporte coletivo da cidade está prevista para ser ampliada em 2026.
Em uma entrevista ao Diário do Nordeste, o prefeito Evandro Leitão (PT) revelou que 129 novos ônibus, todos equipados com ar-condicionado, começarão a operar na capital cearense em 2026. Além disso, ele assegurou que haverá um incremento no número de linhas de ônibus, com o objetivo de “oferecer melhores condições para a população”. No entanto, o prefeito não especificou quais áreas serão beneficiadas pelas novas linhas.
É importante ressaltar que a renovação da frota é crucial por duas razões principais: a redução do impacto ambiental, visto que veículos mais novos emitem menos poluentes, e a necessidade de recuperar os passageiros que têm optado por meios de transporte individuais ou particulares. Essa expansão ocorre em um cenário de crise no transporte coletivo, que enfrenta uma queda significativa no número de usuários: em 2015, cerca de 1 milhão de pessoas utilizavam o ônibus diariamente em Fortaleza, número que despencou para pouco mais de 513 mil em 2025.
Com a diminuição da demanda, a frota também sofreu reduções. Há uma década, 1,8 mil ônibus circulavam pela cidade, enquanto este ano o total é de apenas 1,2 mil, segundo dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus). A falta de passageiros torna a operação do sistema mais onerosa, o que leva a um aumento no subsídio municipal para as empresas e, consequentemente, na tarifa paga pelos usuários.
As tarifas pagas pelos usuários, tanto integrais quanto meia-passagem, representam uma das fontes de receita das empresas de transporte. Além disso, o sistema é sustentado por um subsídio da Prefeitura de Fortaleza, que deverá chegar a R$ 14,5 milhões mensais em 2025, complementado por apoio do Governo do Ceará por meio de três iniciativas.
O reajuste na tarifa de ônibus, anunciado pela Etufor em novembro, interrompe um intervalo de quase três anos sem aumento. A nova tarifa será de R$ 5,40, um aumento em relação aos R$ 4,50 anteriores, enquanto a meia-passagem permanecerá em R$ 1,50.
Em setembro deste ano, a situação se agravou, com o Sindiônibus suspendendo 25 linhas de ônibus e reduzindo a frota de outras 29, uma decisão que a Prefeitura considerou unilateral e que afetou aproximadamente 9 mil passageiros, mas que foi revertida rapidamente.
Quando questionado sobre um possível aumento no subsídio às empresas, o prefeito Evandro não forneceu detalhes.
Em outubro, o Ministério das Cidades anunciou que empresas cearenses, juntamente com outras de dois estados, poderiam adquirir 206 novos ônibus através do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com um investimento total de R$ 167,8 milhões. Quatro empresas de Fortaleza tiveram suas propostas aprovadas, com um crédito total de R$ 83,8 milhões disponível.
O Sindiônibus também enfatizou que a renovação da frota deve ocorrer regularmente, com a meta de substituir pelo menos 12,5% dos veículos anualmente, a fim de manter uma idade média de cerca de 4 anos para os ônibus. Contudo, a entidade destacou que a renovação estava acima dessa meta até 2014, mas a crise financeira gerada pela perda de passageiros dificultou essa prática. Atualmente, a idade média da frota de ônibus em Fortaleza é de 8,4 anos, conforme relatado pela Empresa de Transporte Urbano (Etufor) em agosto deste ano.