Em 2025, três temas centrais dominam o cenário econômico: taxas de juros, o impacto de Trump e a situação fiscal. O ano se inicia com os resquícios das críticas ao Banco Central do Brasil (BCB). Nas reuniões iniciais do Comitê de Política Monetária (Copom) sob a liderança de Gabriel Galípolo, a elevação da taxa Selic para 15% surpreendeu muitos, e desde então, essa taxa se manteve, enquanto o Palácio dos Planalto se calou.
Como era de se esperar, a diplomacia se manifestou e os presidentes adotaram uma postura “pragmática”, criando uma “química” que fez o aumento das tarifas praticamente desaparecer das pautas da mídia. O objetivo desse movimento era enfraquecer o dólar, e os mercados responderam: uma queda de 10-15% desde o “dia da liberdade” levou o real a se estabilizar em torno de R$ 5,5 por dólar, quando antes se projetava que chegasse a R$ 6 ou mais. Essa mudança teve um impacto significativo na inflação, que terminou o ano na faixa superior do limite de tolerância.
As expectativas são de que o Copom atue de forma responsável, declare um certo triunfo, embora com descontentamento, e inicie a redução da Selic em 28 de janeiro ou, no mais tardar, em 17 de março. Quem poderia imaginar que Trump, após toda a sua turbulência, acabaria contribuindo para a política monetária?
Outro tema que gerou intensos debates é a questão fiscal. Após o insucesso do corte de gastos que não resultou em nenhuma economia em dezembro de 2024, o governo se esforçou para atender as metas, que eram reconhecidamente flexíveis, com uma mistura de “bondades” diversas. A tentativa de abordar a questão pela receita falhou e se limitou a marketing.
Assim, o cenário de 2025 é marcado por um pé no acelerador e outro no freio: um déficit significativo e juros elevados. O país se vê em uma situação energética desgastante, sem progresso real, apenas barulho e descontentamento.
O ano conclui com a dívida pública alcançando 80% do PIB, um patamar alarmante e sem precedentes, possivelmente já em um estágio crítico, antes mesmo do início da campanha eleitoral. O PR discute isenção de R$ 5 mil como se fosse um décimo quarto salário, e a próxima “bondade” proposta é uma jornada de trabalho que representaria 50 feriados a mais anualmente.