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Criminosos do Rio de Janeiro utilizam WhatsApp para orquestrar delitos e comercializar armas e drogas

Mauro Pimentel/ AFP.

Investigações realizadas pelas autoridades policiais revelaram que organizações criminosas no Rio de Janeiro estão empregando o aplicativo WhatsApp para a coordenação de atividades ilícitas, incluindo a venda de armas de fogo e substâncias entorpecentes. Essa informação foi divulgada pelo jornal Extra.

Durante uma das operações, a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) obteve acesso ao celular de Carlos da Costa Neves, conhecido como ‘Gardenal’, um dos líderes do Comando Vermelho, uma das facções mais influentes da região. ‘Gardenal’ estava entre os alvos de uma grande ação policial que ocorreu nos complexos da Penha e Alemão em outubro deste ano, mas não foi encontrado. Outros indivíduos do Ceará, que estavam dando ordens para a execução de crimes diretamente do Rio, também foram identificados, resultando na morte de quatro deles.

A análise do telefone de ‘Gardenal’ revelou que ele supervisionava pontos de venda de drogas no Rio, mesmo à distância, utilizando o WhatsApp para se comunicar. Essas ‘bocas de fumo’ estavam situadas no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, e nas favelas do Guaporé e Quitungo, localizadas na Zona Norte da cidade. A prática de planejar delitos e comercializar produtos ilegais via WhatsApp se estende a membros do Comando Vermelho no Ceará, além de outras facções.

Um exemplo dessa dinâmica foi a descoberta por parte da polícia cearense de que um grupo denominado ‘Futebol dos amigos aos finais de semana’ era, na verdade, utilizado pelo Comando Vermelho para organizar crimes. O Ministério Público do Ceará (MPCE) apresentou denúncias contra sete integrantes desse grupo no mês passado.

Outra investigação, conforme relatado pelo jornal Extra, também revelou que uma quadrilha do Espírito Santo estava vendendo armas e drogas para três facções cariocas: Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigos dos Amigos (ADA). Em uma mensagem enviada a 128 membros do grupo Joga pra Rolo 2.0, um criminoso afirmou que realizava vendas independentes da facção, enfatizando a necessidade de segurança para todos os envolvidos, independentemente de suas afiliações.

Além disso, a 14ª DP (Leblon) da Polícia Civil do Rio descobriu que uma gangue especializada em roubo de joias e relógios de luxo também programava seus crimes através do WhatsApp. Um relógio Rolex e um anel de ouro, avaliados em R$ 64 mil, foram roubados de um pedestre no Leblon, resultando na condenação de três indivíduos à prisão. Uma das acusadas, ao ser detida, confessou que o planejamento dos assaltos era feito via WhatsApp e que as mensagens eram posteriormente deletadas para evitar pistas.

A Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, foi contatada pela reportagem do Extra para comentar sobre os crimes que ocorrem na plataforma, mas não respondeu até o momento. Essa prática criminosa também é observada em outros estados, como no Ceará.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade