O mundo do cinema se despediu neste domingo (28) da renomada atriz Brigitte Bardot, um verdadeiro ícone do cinema francês, que faleceu aos 91 anos. Sua carreira no cinema foi extensa, mas sua conexão com a cultura, o turismo brasileiro e até o esporte também é digna de nota.
A trajetória de Brigitte no Brasil começou em 1964, quando, em busca de tranquilidade após um período de intensa pressão da mídia europeia, ela chegou ao Rio de Janeiro acompanhada de seu namorado na época, o jogador de basquete do Flamengo, Bob Zagury.
Ao ser cercada por paparazzi no Rio, o casal decidiu se refugiar em um local pouco conhecido na época: Búzios, que era apenas um distrito de Cabo Frio naqueles dias. Sem a presença de hotéis luxuosos, eletricidade constante ou uma gastronomia sofisticada, a atriz encontrou na simplicidade do lugar a paz que tanto desejava.
Durante quatro meses, eles desfrutaram de um relativo anonimato e liberdade. Bardot era frequentemente vista descalça, dirigindo um Fusca vermelho e passeando tranquilamente pela Praia de Manguinhos. O que era um segredo entre pescadores logo se transformou em um dos destinos mais desejados do Rio de Janeiro.
Embora tenha retornado apenas uma vez, em dezembro de 1964, a marca deixada por Brigitte na cidade é indelével. Ela foi homenageada com o título de cidadã honorária e seu nome agora é associado à Orla Bardot, onde uma estátua de bronze, inaugurada em 1999, eterniza sua imagem contemplando o mar.
Nos últimos anos de sua vida, no entanto, a atriz expressou certa tristeza em relação ao destino que ajudou a popularizar. Em uma entrevista à RFI em 2017, ela lamentou a rápida urbanização da região. “Foi o lado selvagem do lugar que me conquistou. No entanto, o que Búzios se tornou hoje me deixa perplexa. É uma pena”, disse na ocasião.