Marcelo Copello, uma das figuras mais renomadas do jornalismo especializado em vinhos no Brasil, foi o responsável por liderar o evento Brasil de Guarda, realizado pelo Grupo Baco e pela Wine South America em São Paulo. Em uma entrevista ao Mundo Agro, ele fez uma análise da qualidade dos vinhos brasileiros, comparou safras históricas com as de regiões vinícolas de destaque mundial, abordou os obstáculos relacionados a custos e promoção, e discutiu as perspectivas do mercado para 2026.
Mundo Agro: Quais suas impressões sobre as safras exibidas durante o Brasil de Guarda?
Marcelo Copello: As safras mais antigas que se destacaram foram as de 1973, 1983 e 1993. A safra de 2005 é muito boa, o que realmente faz uma diferença perceptível no sabor.
Mundo Agro: Existe uma carência de promoção para os vinhos brasileiros?
Marcelo Copello: Sim, o Brasil precisa investir mais na divulgação de seus vinhos. As feiras desempenham um papel crucial nesse processo. Países como Itália e Portugal realizam um trabalho intenso no Brasil, investindo consideráveis quantias e realizando diversas ações. Nós ainda estamos longe de alcançar esse nível.
Mundo Agro: Além da promoção, o preço representa um desafio?
Marcelo Copello: Sem dúvida, os impostos são bastante severos, tanto para os vinhos importados quanto para os nacionais. O custo de produção no Brasil é elevado, pois as vinícolas são de menor porte e a Serra Gaúcha tem uma topografia que dificulta a mecanização. Além disso, muitos insumos, como barricas, garrafas e rolhas, são importados, o que encarece ainda mais o produto.
Mundo Agro: Isso influencia a posição do vinho brasileiro no mercado?
Marcelo Copello: Sim, poucos produtores conseguem alcançar um bom volume com preços acessíveis. Assim, o vinho brasileiro deve se concentrar no segmento médio-alto, em vez de competir no segmento de entrada.
Mundo Agro: O que podemos esperar da próxima edição da feira Wine South America?
Marcelo Copello: A Wine South America é uma feira promissora que já se consolidou. Sua realização no Rio Grande do Sul é fundamental, pois apresenta a região aos visitantes e promove o vinho brasileiro de forma abrangente. Os participantes tendem a permanecer na região por alguns dias, o que é extremamente benéfico.
Mundo Agro: Qual é a relevância da feira para o setor?
Marcelo Copello: Ela reúne produtores, visitantes e jornalistas, facilitando negócios no coração da vinicultura brasileira. A presença da Wine South America é muito significativa e necessária.
Mundo Agro: Como você vê o mercado de vinhos brasileiro atualmente e suas perspectivas para 2026?
Marcelo Copello: Com meus 35 anos de experiência, percebo que o interesse do consumidor continua a crescer, mesmo que de forma gradual. O consumo flutua em função da macroeconomia, da taxa de câmbio e do cenário global, mas o entusiasmo e o potencial de crescimento são inegáveis.
Mundo Agro: Para encerrar, se pudesse resumir em uma palavra, como você definiria o vinho brasileiro hoje?
Marcelo Copello: Qualidade.