Neste sábado (27), a Polícia Federal deu cumprimento a dez mandados de prisão domiciliar direcionados a indivíduos que foram condenados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação na tentativa de golpe de Estado que ocorreu após as eleições de 2022. As ordens judiciais foram emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes, um dia após a captura do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, que foi preso no Paraguai enquanto tentava fugir para El Salvador com documentos falsificados.
Dentre os alvos das operações estão Filipe Martins, ex-assessor especial do ex-presidente Jair Bolsonaro; Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército; Bernardo Romão Corrêa Netto e Fabrício Moreira de Bastos, ambos coronéis do Exército; Giancarlo Rodrigues, subtenente; além de Guilherme Marques Almeida e Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenentes-coronéis, e Marília Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça.
Os condenados deverão cumprir suas penas em prisão domiciliar, utilizando tornozeleira eletrônica, e estarão sujeitos a restrições adicionais, como a proibição de acessar redes sociais, contatar outros investigados e receber visitas. Também foi determinada a entrega de passaportes e a suspensão dos registros de porte de arma.
Conforme a Polícia Federal, os mandados estão sendo cumpridos em diversos estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal, com parte das ações contando com o suporte do Exército Brasileiro. Os indivíduos alvos dessa fase da investigação fazem parte dos núcleos 2, 3 e 4 da apuração sobre a trama golpista, todos já condenados pela Primeira Turma do STF. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), membros do núcleo 2 utilizaram forças policiais para tentar assegurar a permanência de Jair Bolsonaro no cargo, além de coordenar ações de monitoramento de autoridades e interagir com líderes envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro.
A PGR também indicou que integrantes desse núcleo participaram da elaboração da chamada “minuta do golpe”, um documento que delineava estratégias para uma ruptura institucional. Entre os condenados do núcleo 2 que receberam medidas neste sábado estão Filipe Martins, sentenciado a 21 anos de prisão, e Marília Alencar, que foi condenada a oito anos e seis meses de detenção.