O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja da Silva chegaram ao Rio de Janeiro na sexta-feira (26) para as festividades de Ano Novo. O casal escolherá a base naval da Restinga de Marambaia, situada na confluência de três municípios – Rio de Janeiro, Mangaratiba e Itaguaí – para a celebração da virada do ano.
Esse espaço fluminense abriga um centro de treinamento da Marinha e, por se tratar de uma área militar com acesso controlado e protegido pelas Forças Armadas, já foi utilizado por outros presidentes como um refúgio. No ano passado, Lula e Janja permaneceram em Brasília durante as festividades de fim de ano, uma vez que o presidente se recuperava de uma cirurgia decorrente de uma queda no Palácio da Alvorada.
A Restinga de Marambaia se estende por cerca de 42 km e pertence a três municípios: Rio de Janeiro, Itaguaí e Mangaratiba. Administrada pelas Forças Armadas, a área abriga a base naval da Marinha e o Centro de Adestramento da Ilha de Marambaia (Cadim). A expectativa é de que Lula retorne ao trabalho em Brasília no dia 6 de janeiro. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o feriado de Finados e o Natal de 2018 foram passados na Restinga, antes de sua posse. Michel Temer (MDB) também escolheu o local para o Réveillon de 2017 e o Carnaval de 2018.
Em 2023, Lula repetiu a experiência de passar a virada do ano na Restinga de Marambaia, lembrando que em mandatos anteriores já havia celebrado o Réveillon na base naval de Aratu, na Bahia. Conhecida por suas belas praias e paisagens deslumbrantes, a Ilha da Marambaia foi cenário de novelas como “Guerra dos Sexos” e “Da Cor do Pecado”, da Rede Globo.
Além de sua beleza natural, a região é marcada por eventos históricos. No século 19, após a proibição do tráfico de escravizados no Brasil, a restinga passou a ser usada como um porto clandestino. Em 1904, a União adquiriu as terras, que dois anos depois passaram a ser administradas pela Marinha. Em 1908, a Escola de Aprendizes-Marinheiros foi inaugurada na área.
Em 2004, após uma série de disputas judiciais promovidas por comunidades remanescentes de quilombolas, a região recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares, com a titulação oficializada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2015. Durante a ditadura militar, a base da Marinha foi utilizada como local de ocultação de corpos de presos políticos, com relatos indicando que o deputado federal Rubens Paiva, que foi preso e assassinado pelo regime, foi enterrado ali.