A diminuição do mercado automotivo na China tem gerado efeitos diretos no desempenho mundial de duas das principais montadoras japonesas: Toyota e Honda. Dados recentes indicam que a queda nas vendas chinesas já está levando a cortes na produção e a uma reavaliação das estratégias globais, especialmente em um momento em que os veículos elétricos estão se expandindo rapidamente no país.
Em novembro de 2025, a Toyota viu suas vendas globais caírem 1,9%, enquanto a produção registrou uma queda de 3,4%. No mercado chinês, as vendas das marcas Toyota e Lexus recuaram cerca de 12%, impactadas pelo fim de incentivos governamentais e pela crescente concorrência das fabricantes chinesas de veículos elétricos.
A situação é ainda mais crítica para a Honda, que enfrentou uma retração global de 15% nas vendas em novembro, com uma queda acentuada de 34% no mercado chinês, resultando em mais de 20 meses consecutivos de declínio na região. Essa realidade forçou a montadora a ajustar sua produção local e a reavaliar suas projeções para a Ásia.
Prioridade em veículos elétricos para manter competitividade
Diante desse panorama, tanto a Toyota quanto a Honda estão intensificando seus esforços no desenvolvimento de veículos elétricos voltados especificamente para o mercado chinês, frequentemente através de joint ventures com fabricantes locais.
A Toyota ampliou sua linha de elétricos da família bZ (beyond Zero) fabricados no país. O sedã bZ3, criado em parceria com a BYD e a FAW Toyota, utiliza a bateria Blade e promete uma autonomia próxima a 600 km no ciclo chinês. Os novos modelos bZ5 e bZ7, desenvolvidos em colaboração com a FAW e a GAC Toyota, visam fortalecer a presença da marca nos segmentos mais competitivos do mercado elétrico local.
A Honda está seguindo uma abordagem semelhante com suas joint ventures GAC Honda e Dongfeng Honda. A montadora lançou na China uma nova linha de elétricos chamada Ye, que inclui os SUVs S7 e P7, exclusivos para o mercado chinês, focando em alta autonomia, conectividade local e preços mais acessíveis.
Joint ventures são cruciais, mas a concorrência é acirrada
Essas parcerias com grupos chineses tornaram-se fundamentais para atender às exigências regulatórias e de conteúdo local, além de ajudar na redução de custos e na aceleração do desenvolvimento de novos veículos elétricos. No entanto, mesmo com essas colaborações, Toyota e Honda enfrentam desafios para competir em volume e preço com marcas chinesas como a BYD, que estão rapidamente ganhando espaço no mercado global.
A queda nas vendas na China demonstra que o maior mercado automotivo do mundo deixou de ser apenas um motor de crescimento e se tornou também um risco significativo para as montadoras tradicionais. A capacidade de reagir com produtos elétricos competitivos, adaptados às preferências dos consumidores locais, será crucial para o desempenho futuro das montadoras japonesas.