O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi transferido para Brasília neste sábado (27), após ser detido no Paraguai na sexta-feira (26) por deixar o Brasil sem a devida autorização judicial. Ele cumprirá uma prisão preventiva, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Vasques foi preso no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, enquanto tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador, com uma parada no Panamá. Na ocasião, ele possuía documentos paraguaios — uma cédula de identidade e um passaporte — em nome de Julio Eduardo Baez Fernandez, um cidadão paraguaio nascido em 1981, em Ciudad del Este. Esses documentos estavam em vigor e apresentavam a foto do ex-diretor da PRF.
Na noite de sexta-feira, Silvinei foi entregue pela Polícia Nacional do Paraguai às autoridades brasileiras na fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este. Ele ocupou a liderança da PRF durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e, há dez dias, foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de reclusão por sua participação na tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a Polícia Federal (PF), a fuga foi meticulosamente planejada. Silvinei removeu a tornozeleira eletrônica e deixou sua residência em São José, na Região Metropolitana de Florianópolis, na noite do dia 24 de dezembro. Ele teria alugado um veículo e percorrido cerca de 1.300 quilômetros até o Paraguai, em uma viagem que durou pelo menos 18 horas.
Imagens de segurança do local onde residia mostram que ele saiu por volta das 19h da véspera de Natal, transportando malas no porta-malas de um carro alugado. No assento do passageiro, estavam seus pertences pessoais e um cachorro. Sua ausência foi notada pelas autoridades na madrugada do dia 25, quando a tornozeleira eletrônica deixou de emitir sinais de localização.
Agentes da Polícia Penal de Santa Catarina, responsáveis pelo monitoramento eletrônico, foram ao endereço do ex-diretor da PRF no dia de Natal, mas não encontraram ninguém. A tornozeleira violada também não foi localizada.
No aeroporto de Assunção, Silvinei portava uma carta em espanhol, na qual afirmava ser a pessoa identificada nos documentos paraguaios e alegava estar em tratamento para um suposto câncer no cérebro, o que, segundo o conteúdo, o impossibilitaria de falar ou compreender perguntas. A PF confirmou sua identidade após receber imagens enviadas pela polícia paraguaia.
Natural de Ivaiporã (PR), Silvinei Vasques ingressou na PRF em 1995 e construiu uma carreira de 27 anos na corporação. Ele se aposentou voluntariamente em dezembro de 2022, recebendo salário integral, logo após as eleições presidenciais.
As investigações indicam que, em 2022, Silvinei teria usado a estrutura da PRF para fins políticos, dificultando o deslocamento de eleitores no Nordeste, região onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva liderava as pesquisas. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), operações como blitze e fiscalizações foram intensificadas de maneira direcionada para interferir no processo eleitoral.
A PGR alega que essas diretrizes foram elaboradas dentro do Ministério da Justiça, com a aprovação do então ministro Anderson Torres, e executadas pela cúpula da PRF sob a liderança de Silvinei Vasques.