As ações da Azul enfrentaram um dia complicado nesta sexta-feira (26), com uma queda significativa de 28,97% ao final das negociações. Durante o dia, os papéis chegaram a cair quase 50% em seu pior momento.
Na segunda-feira (22), a companhia aérea informou ao mercado sobre sua intenção de realizar uma oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais, que passarão a ser negociadas sob os códigos AZUL53 e AZUL54, respectivamente. A Azul planejou emitir um total de 723.861.340.715 novas ações de cada tipo, com a operação estimada em cerca de R$ 7,44 bilhões. Ian Lopes, economista e assessor da Valor Investimentos, destaca que, para calcular o valor real de cada ação, os investidores devem dividir o preço de mercado por 10 mil.
Lopes também observou que este tipo de operação no mercado revela a vulnerabilidade atual da empresa e suas dificuldades em renegociar dívidas. Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, acrescentou que as alterações no lote padrão podem gerar confusão inicial entre os investidores e provocar um ajuste técnico, dado que se trata de uma mudança significativa.
O analista avaliou que o mercado está respondendo ao plano de capitalização, que envolve a emissão de um número considerável de novas ações e a conversão de dívidas em capital, resultando em uma diluição significativa da participação de acionistas existentes. Assim, o mercado está se ajustando a esse novo panorama que a companhia irá enfrentar a partir de agora.
Em maio, a Azul solicitou proteção sob o capítulo 11 da legislação americana, um processo semelhante à recuperação judicial no Brasil, que permite à empresa operar normalmente enquanto busca se reestruturar. O acordo inclui um compromisso de financiamento de US$ 1,6 bilhão, a redução de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e um adicional de até US$ 950 milhões em financiamento por meio de equity. Em julho, a companhia obteve a aprovação final da Justiça dos EUA para um financiamento bilionário na modalidade DIP (debtor in possession).
Recentemente, um juiz americano autorizou a reestruturação da dívida da empresa, permitindo que a Azul reduzisse suas obrigações de mais de US$ 2 bilhões e captasse recursos através de uma oferta de direitos de subscrição de ações e investimentos. A emissão de novas ações visa aumentar o capital da empresa, mas, segundo Ian Lopes, isso é mal visto pelo mercado, pois prejudica a participação proporcional dos acionistas minoritários.
Outro fator negativo para o mercado foi o anúncio da repactuação de um acordo com a Embraer, que resultou na redução de encomendas de aeronaves durante o processo de recuperação.
André Matos, CEO da Ma7 Negócios, conclui que o mercado está avaliando a empresa como se tivesse uma participação acionária residual, em meio a uma transformação estrutural, com incertezas sobre a geração de caixa futura e a participação acionária final após a reestruturação, fatores que atualmente influenciam mais a avaliação do ativo do que os fundamentos operacionais tradicionais do setor aéreo.