Em meio a um calor sem precedentes, com temperaturas que alcançaram 35,9 ºC na última quinta-feira (25), residentes de diversas localidades na região metropolitana de São Paulo estão lidando com a falta de água. Em Quintaúna, Osasco, os habitantes relatam que estão há dias sem o abastecimento e afirmam que, ao tentarem contatar a Sabesp, não obtêm qualquer retorno. Desde terça-feira (23), as torneiras estão secas, dificultando atividades cotidianas como lavar louças, tomar banho e até mesmo a operação de estabelecimentos comerciais na área. “Já são quatro dias sem conseguir trabalhar”, comenta Jaird de Nardi, proprietário de uma pizzaria. “Como vamos garantir nosso sustento sem água?”, questiona ele.
Bairros das zonas Sul, Norte, Oeste e Leste, além do centro da capital, também registram relatos semelhantes de falta de água. Na Chácara Santana, já são sete dias sem abastecimento. Para conseguir beber e cozinhar, os moradores tiveram que recorrer à compra de água engarrafada. De acordo com a Sabesp, o calor excessivo aumentou o consumo de água na região metropolitana em cerca de 60%. Entre os dias 14 e 20 deste mês, a produção foi de aproximadamente 66 mil litros de água por segundo, e na véspera do Natal, esse número subiu para 72 mil litros por segundo, mesmo com a redução da população nas cidades devido às festividades.
A Sabesp solicita que a população utilize a água de maneira consciente e evite desperdícios. Contudo, a empresa ainda não forneceu explicações sobre os casos de desabastecimento e a ausência de respostas às reclamações feitas.
Racionamento
Em agosto, o governo paulista apresentou um plano de contingência para o abastecimento de água, considerando o risco de uma nova crise hídrica na Grande São Paulo. Essa estratégia inclui a redução da pressão nos encanamentos que distribuem água, podendo chegar a até 16 horas, a exploração do volume morto das represas e, em situações extremas, a implementação de rodízio no abastecimento.
Desde sua desestatização em 2024, a Sabesp já aplicou R$ 1 bilhão em iniciativas como a substituição de tubulações, inovações tecnológicas para pesquisa e reparo de vazamentos, combate a fraudes e regularização de áreas informais. Os investimentos planejados podem atingir R$ 9,7 bilhões até 2029, representando um aumento de 60% em relação ao período anterior. O intuito é reduzir a taxa total de perdas da empresa, atualmente em 29,40%, que já é inferior à média nacional de 40,31%. Adicionalmente, a empresa informa que 19% das perdas são oriundas de vazamentos, enquanto os 10% restantes estão relacionados principalmente a consumos irregulares e fraudes.