Enquanto Alexandre de Moraes enfrenta uma intensa pressão pública, Dias Toffoli toma decisões que realmente ameaçam a liquidação do Banco Master. No Banco Central, a atenção está voltada para Toffoli, e não para Moraes. O ministro agiu por conta própria, sem provocação, e rejeitou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular a acareação. A razão pela qual a liquidação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda é um mistério, surgindo apenas após a Polícia Federal descobrir um documento que estabelecia as condições para a aquisição de um imóvel de Vorcaro pelo deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), conforme reportado pelo Estadão.
Toffoli parece estar utilizando sua posição para reverter a decisão, enquanto os atos de Moraes são passados e não impactaram a direção das investigações do Banco Central sobre o caso. É importante ressaltar que a esposa de Moraes tinha um contrato significativo com o Banco Master, o que levanta questões sobre a necessidade de esclarecimentos por parte do ministro. Mesmo que ele tenha realizado apenas pesquisas sobre o banco, isso poderia ser interpretado como crime de advocacia administrativa, onde um servidor público usa sua posição para favorecer interesses pessoais. No entanto, não houve ações formais de Moraes que tentassem beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro.
Rumores sobre Moraes pressionando o Banco Central já circulavam, mas os órgãos envolvidos, mesmo que de forma reservada, sempre negaram tais alegações. Caso contrário, teriam levado a situação ao conhecimento do presidente da República e da PGR. De qualquer forma, o contrato da esposa de Moraes, como revelado pelo Globo, apenas reforça a urgência de que o Supremo Tribunal Federal (STF) implemente um código de ética que impose maior constrangimento à conduta de diversos ministros da corte e do Poder Judiciário.
No final das contas, esse episódio revela uma vulnerabilidade no sistema de freios e contrapesos. A possibilidade de uma decisão judicial que reverta, por conta própria, o trabalho de fiscalização do Banco Central pode comprometer a credibilidade da autoridade monetária, acarretando consequências imprevisíveis a longo prazo para a estabilidade do sistema financeiro.