Nesta quinta-feira (25), lembramos um dos episódios mais trágicos e violentos da história recente do Ceará, que completa quatro anos. Até o momento, 20 dos 22 indivíduos acusados na Chacina da Sapiranga ainda não enfrentaram o júri popular. Em setembro passado, dois réus foram julgados e receberam penas somadas que ultrapassam 550 anos de prisão. Um deles, Vinícius Rian Inácio da Silva, continua foragido, enquanto Nilson Lima Nogueira Filho foi escoltado para o presídio após a condenação, mas sua defesa já está pleiteando um novo julgamento.
De acordo com o advogado de Nilson, a sentença do Tribunal do Júri foi desproporcional às evidências apresentadas nos autos, argumentando que o réu não tinha intenção de causar danos às vítimas. O Ministério Público do Ceará (MPCE) discorda, sustentando que não houve erro na condenação e que a decisão deve permanecer.
Os réus foram condenados não apenas pelo homicídio qualificado, mas também por tentativa de homicídio, corrupção de menores e por serem membros de uma organização criminosa. O crime ocorreu na noite de Natal de 2021, quando um grupo de pessoas se reunia no Campo do Alecrim, em Sapiranga, e foi atacado a tiros. Entre os mortos estão André Alexandre Rodrigues, Israel da Silva Andrade, John Lenon Holanda, Mateus Ribeiro dos Santos e Ederlan Fausto, com outras seis pessoas feridas.
As investigações da Polícia Civil do Ceará (PCCE) apontam que a chacina foi motivada por disputas territoriais relacionadas ao tráfico de drogas. Os acusados são ligados à facção criminosa Massa Carcerária, que se originou de uma dissidência do Comando Vermelho (CV).
O MPCE destacou que os crimes foram cometidos de forma planejada e com uma grande quantidade de executores armados, tornando impossível a defesa das vítimas. Também foi mencionado que os réus utilizaram armamento restrito, incluindo um fuzil, durante o ataque. Um fuzil calibre 5.56 foi apreendido após uma denúncia anônima, que indicava seu uso na chacina.
Além disso, a denúncia inclui a participação de outros indivíduos não identificados e a apreensão de seis adolescentes que estavam armados no momento do crime. O caso continua sob investigação pelas Polícias Civil e Federal.