O Brasil está vivenciando um aumento significativo nas vendas de motocicletas, que se tornaram o veículo mais emplacado em 16 estados. Um exemplo dessa tendência é Sobral, no interior do Ceará, onde há 31 mil veículos de quatro rodas e impressionantes 71 mil motos. Carlos Henrique Lino de Castro, que cuida de cerca de 200 motos diariamente, compartilha sua trajetória: “Com esse trabalho, consegui sustentar minhas duas filhas, que hoje estão formadas, uma como cabeleireira e a outra como secretária”.
Sobral antecipou uma tendência que se espalhou pelo Brasil: atualmente, as motocicletas dominam o cenário em estados como Mato Grosso, em toda a região Norte e em grande parte do Nordeste. O aumento na produção de motos remonta à Primeira Guerra Mundial, onde eram utilizadas para transportar munições e dar suporte às tropas, tornando-se um símbolo de liberdade ao longo do tempo.
Na maior cidade do país, as motos representam tanto uma luta diária quanto um meio de autonomia, com o destino final, na maioria das vezes, sendo o trabalho. O crescimento do uso de motocicletas reflete uma mudança comportamental impulsionada por questões econômicas, com dados indicando que esse meio de transporte é preferido por trabalhadores autônomos que buscam driblar o trânsito em busca de oportunidades.
Os entregadores, personagens centrais dessa narrativa, desempenham um papel vital na produtividade dos negócios, transportando mercadorias em suas bags. Cristiano Neves Martins, um entregador autônomo, argumenta: “Acho muito mais vantajoso do que ter uma rotina fixa de trabalho de segunda a sábado, ou até mesmo de segunda a domingo.”
Para mecânicos autônomos, as motos significam a possibilidade de atender a mais clientes diariamente, sendo um investimento que pode ser parcelado em até 48 vezes. “O retorno da minha profissão é grande, pois dependo da minha locomoção para ter um bom giro”, comenta Márcio Oliveira.
Além disso, há compradores que adquirem motos exclusivamente como meio de transporte. Paulo Sergio da Rocha Junior, gerente de serralheria, destaca: “Não há forma mais rápida e prática de se locomover em São Paulo do que de moto.”
Entretanto, essa escolha não vem sem riscos. No estado de São Paulo, as mortes em acidentes de moto alcançaram números alarmantes no primeiro semestre de 2025, com 1.338 vítimas fatais. Nas 46 vias da capital que possuem faixa azul, houve uma redução de 50% nos acidentes fatais, resultado de um projeto experimental que permite que as motos circulem entre os carros, com sinalização.
Para os especialistas, é fundamental adaptar as cidades a essa nova realidade, já que, como afirma Cristiano, “essa onda de motocicletas pode desacelerar, mas não irá retroceder”. Ele conclui: “Não pretendo comprar um carro nem voltar para o escritório. Estou muito bem no meu cantinho.”