O prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), se apresentou à polícia em São Luís na manhã desta quarta-feira (24), após permanecer foragido por dois dias. O Ministério Público do Maranhão informou que 20 vereadores e um ex-vereador estão sendo investigados por supostamente participarem de um esquema de desvio de recursos públicos, embora nem todos tenham mandados de prisão emitidos.
A Operação Tântalo II, iniciada na última segunda-feira (22), investiga o desvio de R$ 56.328.937,59, envolvendo empresas fictícias criadas pelo prefeito e seus colaboradores, incluindo os 11 vereadores de Turilândia, a atual vice-prefeita e a ex-vice-prefeita, além de servidores públicos, empresários e outros políticos.
“Na Câmara, todos os vereadores estavam envolvidos no esquema, recebendo dinheiro desviado, seja diretamente ou por meio de familiares”, destacou o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Fernando Berniz.
Após a prisão, Paulo Curió e a vice-prefeita, Tânia Mendes, serão levados para a Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís, para cumprir prisão preventiva. Os 11 vereadores, por sua vez, tiveram suas prisões convertidas em domiciliares ou com uso de tornozeleira eletrônica. “A Justiça optou por transformar as prisões dos vereadores em domiciliares ou com monitoramento eletrônico para não paralisar as atividades em Turilândia, uma vez que o presidente da Câmara deverá assumir o cargo de prefeito”, explicou o promotor Fernando.
Sobre os crimes, foram executados 51 mandados de busca e apreensão, além de 21 mandados de prisão em localidades como São Luís, Paço do Lumiar, Santa Helena, Pinheiro, Barreirinhas, Governador Nunes Freire, Vitória do Mearim, Pedro do Rosário, São José de Ribamar e Presidente Sarney. Essa operação é um desdobramento da Operação Tântalo, realizada pelo GAECO em fevereiro deste ano.
Conforme o procedimento investigativo do GAECO, existem indícios de crimes como organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, com irregularidades ocorrendo durante a administração do prefeito Paulo Curió, entre 2021 e 2025. O g1 tentou contato com os acusados, mas não obteve resposta até a atualização mais recente desta matéria.
Funcionamento do esquema
As investigações revelam que a organização criminosa era comandada pelo prefeito Paulo Curió, com a colaboração da vice-prefeita Tânia Mendes e da ex-vice-prefeita Janaína Lima. O esquema foi estruturado por meio de contratos fraudulentos com empresas de fachada. Entre as empresas implicadas estão:
– Posto TuriSP Freitas Júnior Ltda
– Luminer Serviços Ltda
– MR Costa Ltda
– AB Ferreira Ltda
– Climatech Refrigeração e Serviços Ltda
– JEC Empreendimentos
– Potencial Empreendimentos e Cia Ltda
– WJ Barros Consultoria Contábil
– Agromais Pecuária e Piscicultura Ltda
Essas empresas foram utilizadas como “laranjas” para desviar verbas dos cofres públicos. O prefeito Curió e vários vereadores da cidade se beneficiaram do esquema, recebendo dinheiro tanto em contas pessoais quanto por meio de familiares.
Identidade dos alvos
A ex-vice-prefeita Janaína Lima e seu marido, Marlon Zerrão, que é tio da atual vice-prefeita Tânia Mendes, desempenharam um papel crucial no desvio de recursos. O Posto Turi, pertencente a Marlon Zerrão, recebeu R$ 17.215.000,00 dos cofres públicos de Turilândia, conforme informado pelo MP-MA.
Janaína e Marlon firmaram um acordo com o prefeito Paulo Curió para reter 10% dos valores dos contratos do Posto Turi, destinados ao pagamento da faculdade de medicina de Janaína Lima, enquanto os 90% restantes eram entregues ao prefeito ou a quem ele indicasse. Além disso, o Posto Turi foi utilizado para emitir notas fiscais fraudulentas, com o intuito de fraudar pagamentos de contratos públicos.
Ainda segundo a investigação, a atual vice-prefeita, Tânia Mendes, e seu esposo, Ilan Alfredo Mendes, estão sendo investigados por receber valores de empresas contratadas pelo município, incluindo pagamentos relacionados à venda de notas fiscais falsas. Além disso, Tânia integrou a chapa eleitoral para preservar a influência de seu tio, Marlon Zerrão, que mantinha uma estreita ligação com o prefeito Paulo Curió.