Em meio à turbulência envolvendo o governo de Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump revelou nesta segunda-feira (22) seus planos para a construção de uma nova linha de navios de guerra. No Caribe, a guarda costeira dos Estados Unidos mantém um cerco naval em torno da Venezuela.
O bloqueio ao petroleiro Bella 1 já se estende por quase 48 horas. O navio, que se encontrava vazio em águas internacionais e se dirigia para a Venezuela para carregar petróleo, conseguiu escapar quando a Guarda Costeira americana tentou detê-lo, conforme fontes consultadas pela mídia dos Estados Unidos.
O Bella 1 enfrenta sanções desde o ano passado por transportar petróleo do Irã e integra uma chamada “frota fantasma”, composta por embarcações que desativam seus sistemas de rastreamento para evitar detecções. Esta é a terceira operação desse tipo em um intervalo inferior a duas semanas.
Em situações anteriores, a cena foi semelhante: helicópteros se aproximando, militares descendo por cordas e ocupando os navios. No sábado pela manhã, isso ocorreu com o navio Centuries, que transportava quase dois milhões de barris de petróleo para a China, mas que não enfrentava sanções. No dia 10 de dezembro, foi a vez do Skipper, que carregava mais de um milhão de barris. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, e os Estados Unidos estão atentos a isso. Inimigos? Sim, mas negócios são negócios.
Apesar das restrições, os americanos continuam importando petróleo venezuelano, embora em volumes muito menores. A vice-presidente Delcy Rodriguez compartilhou um vídeo de um petroleiro deixando a Venezuela com 500 mil barris de petróleo no último sábado, com destino aos Estados Unidos. O navio foi fretado pela Chevron, que possui licença para continuar suas operações de exploração no país.
Donald Trump acusa Nicolás Maduro de liderar uma organização narcoterrorista envolvida no tráfico de drogas para os Estados Unidos, utilizando os lucros do petróleo para sustentar seu regime e permanecer no poder. A estratégia americana, através do bloqueio aos petroleiros, visa desgastar ainda mais a economia venezuelana, enfraquecer Maduro e forçá-lo a renunciar.
O ditador venezuelano, por sua vez, recorreu a dois aliados estratégicos para enfrentar essa pressão. Nesta segunda-feira (22), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, reafirmou que a Venezuela conta com total apoio e solidariedade de Moscou. A China, maior importadora de petróleo venezuelano, declarou que a apreensão de navios de outros países constitui uma grave violação do direito internacional, afirmando que a Venezuela tem o direito de manter relações com nações parceiras.
A escalada das tensões também despertou preocupações na Europa, levando o governo alemão a apelar por calma e respeito às normas internacionais. Em uma carta dirigida a líderes regionais e à ONU, Nicolás Maduro solicitou que a comunidade internacional condenasse as ações dos Estados Unidos.
Nesse contexto, Donald Trump anunciou o início da construção dos dois primeiros navios de guerra de uma nova frota batizada em sua homenagem, afirmando que esses novos barcos serão cem vezes mais poderosos que os atuais.