O HANBIT-Nano, um foguete desenvolvido na Coreia do Sul, decolou nesta segunda-feira (22), às 22h13, a partir da Base de Alcântara, no Maranhão. Durante a transmissão do evento, uma mensagem alertou que “we experienced an anomaly during the flight”, sinalizando que a equipe de controle detectou uma anomalia durante o percurso do foguete. Informações oficiais sobre o ocorrido ainda não foram divulgadas (assista ao vídeo do lançamento acima).
🌌🔭 O trajeto do foguete pôde ser visualizado a várias distâncias, mas os moradores de Alcântara (MA) e de partes do litoral de São Luís (MA) tiveram a melhor visão do evento. Este lançamento representa a primeira iniciativa de foguete comercial oriundo do Brasil, abrindo portas para o país no mercado global de lançamentos espaciais.
📲 Para mais atualizações, inscreva-se no canal do g1 Maranhão via WhatsApp. A missão, nomeada Spaceward, ocorreu após dois adiamentos pela start-up Innospace, que é responsável pelo foguete. Na última sexta-feira (19), o horário do lançamento foi modificado várias vezes, inicialmente previsto para as 15h34, passando para as 17h, e finalmente realizado às 21h30. A Innospace comunicou que a última alteração foi devido a problemas no fornecimento de energia elétrica no local.
Tamanho do foguete 🚀
O HANBIT-Nano possui 21,9 metros de altura, pesa 20 toneladas e tem 1,4 metro de diâmetro. Durante seu voo até a órbita terrestre, pode atingir velocidades de até 30 mil km/h. Para se ter uma ideia, sua altura equivale a um prédio de sete andares, pode voar até 30 vezes mais rápido que um avião comercial e seu peso é similar ao de quatro elefantes africanos.
A missão Spaceward é coordenada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e tem como meta colocar no espaço cinco satélites e três dispositivos que auxiliarão em pesquisas em mais de cinco áreas desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia. A AEB informou que a Innospace estabeleceu um acordo com o Governo Brasileiro para a prestação de serviços sem a previsão de lucro.
ENTENDA: O impacto que o primeiro voo comercial de foguete no Brasil pode ter no mercado espacial.
Localização estratégica
Inaugurado na década de 1980, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado na costa do Maranhão, é altamente valorizado geograficamente para lançamentos espaciais.
📌 Sua proximidade com a linha do Equador permite que os foguetes utilizem menos combustível, reduzindo os custos operacionais. Além disso, a base se localiza em uma área ampla do litoral, apresenta baixa densidade de tráfego aéreo e oferece diversas opções de inclinações orbitais para lançamentos.
💨 A eficiência dos lançamentos aumenta quanto mais próximo se está da linha do Equador, pois a velocidade de rotação da superfície é maior nessa região, exigindo assim menor consumo de combustível e tempo para atingir a órbita. Apesar dessas vantagens, a base permaneceu subutilizada por décadas, em parte devido a um trágico acidente ocorrido há mais de 20 anos e a questões fundiárias que resultaram em longas disputas judiciais.
Nova fase
A Operação Spaceward, que lançou o HANBIT-Nano, simboliza o início de uma nova era para o Programa Espacial Brasileiro. Este foguete pode posicionar o Brasil no mercado espacial global, além de aprimorar a tecnologia dos dispositivos espaciais e atrair investimentos internacionais, impulsionando o programa.
A abertura da base para lançamentos comerciais foi facilitada por um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) assinado entre os governos do Brasil e dos EUA em 2019. Esse acordo permite o lançamento de dispositivos que utilizam tecnologia americana a partir de Alcântara, garantindo ao Brasil uma compensação financeira.
“Antes, não era proibido, mas cada lançamento exigia uma autorização especial. Agora, o processo é muito mais simples”, explicou Marco Antonio Chamon, presidente da AEB.
O que será levado ao espaço?
🔎 O HANBIT-Nano transportou oito cargas úteis, incluindo cinco satélites e três experimentos. Os satélites serão responsáveis pela análise de dados ambientais, testes de comunicação em órbita e monitoramento de dados solares. Abaixo, mais detalhes sobre os dispositivos:
– Satélite Jussara-K: Criado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em colaboração com startups e instituições nacionais, tem a missão de coletar dados ambientais em áreas de difícil acesso.
– Satélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B: Desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destinam-se à validação de um novo sistema de comunicação em órbita.
– PION-BR2: Criado pela UFMA em parceria com a AEB, o PNUD e a startup PION, levará mensagens de alunos da rede pública de Alcântara ao espaço.
– Satélite SNI-GNSS: Desenvolvido pela AEB em conjunto com empresas como Concert Space, Cron e HORUSEYE TECH, irá determinar com precisão a velocidade, posição e altitude do foguete, podendo ser aplicado em drones, carros e navios.
– Solaras-S2: Responsável por monitorar fenômenos solares que podem interferir em comunicações e sistemas tecnológicos na Terra, criado pela empresa indiana Grahaa Space.
– Sistema de Navegação Inercial (INS): Validará um algoritmo de navegação para futuras aplicações em missões espaciais, desenvolvido pela Castro Leite Consultoria (CLC).
Além disso, um outro dispositivo da Castro Leite Consultoria será levado ao espaço, mas por solicitação do fabricante, a FAB teve acesso apenas a dados limitados.