Nesta terça-feira (23), a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou que o país tem a autonomia necessária para enfrentar as flutuações excessivas do iene, emitindo um alerta forte sobre a disposição de Tóquio em intervir no mercado cambial para conter a acentuada desvalorização da moeda. “Isso definitivamente não reflete os fundamentos econômicos”, declarou Katayama durante uma coletiva de imprensa, referindo-se à recente queda do iene após a fala do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, na semana passada. “Não acredito que a situação teria chegado a esse ponto sem a presença de movimentos especulativos. O governo tomará as medidas apropriadas contra oscilações descontroladas”, complementou, mencionando o acordo estabelecido entre Japão e Estados Unidos em setembro sobre políticas cambiais. As declarações de Katayama ecoam suas palavras em uma entrevista concedida à Bloomberg na segunda-feira. Após seus comentários, o iene apresentou uma leve valorização, embora ainda estivesse próximo da mínima de 11 meses, de 157,78, registrada na sexta-feira. Em uma declaração conjunta emitida em setembro, Japão e EUA reafirmaram seu compromisso com taxas de câmbio “determinadas pelo mercado”, concordando que intervenções devem ser limitadas ao combate de volatilidades excessivas. De acordo com autoridades japonesas, essa declaração lhes confere o direito de agir quando os movimentos do iene se desviarem dos fundamentos econômicos e apresentarem oscilações excessivas. A última intervenção de Tóquio no mercado cambial ocorreu em julho de 2024, quando o governo comprou ienes após a moeda atingir um patamar de 161,96 por dólar, o mais baixo em 38 anos. A fraqueza do iene tem se tornado uma preocupação crescente para os responsáveis pela política econômica no Japão, uma vez que eleva os custos das importações e a inflação, impactando negativamente o custo de vida das famílias.
Japão sinaliza possibilidade de intervenção mais rigorosa contra a desvalorização do iene
•18/03/2024 REUTERS/Kim Kyung-Hoon