Entre julho e setembro deste ano, as famílias britânicas reduziram suas economias, sentindo os efeitos de impostos mais elevados, mesmo assim, aumentaram seus gastos, conforme revelam dados oficiais que apontam uma desaceleração na economia do país. O PIB (Produto Interno Bruto) teve um crescimento modesto de 0,1%, conforme divulgado pelo Escritório de Estatísticas Nacionais, em linha com suas previsões iniciais e com as expectativas de economistas consultados pela Reuters. O crescimento registrado entre abril e junho foi revisado para baixo, passando de 0,3% para 0,2%.
Além disso, o índice de poupança das famílias caiu 0,7 ponto percentual, atingindo 9,5%, o menor patamar em mais de um ano, devido a uma renda real disponível que foi impactada por aumentos de impostos que superaram o crescimento da renda, além da inflação. Apesar disso, o consumo familiar cresceu 0,3% em comparação ao segundo trimestre, onde não houve crescimento, representando o aumento trimestral mais significativo em um ano.
A ministra das Finanças, Rachel Reeves, aplicou aumentos de impostos em seu primeiro orçamento de 2024, incluindo sobre algumas formas de renda patrimonial. Contudo, a maior parte do ônus recaiu sobre os empregadores e não sobre os indivíduos. No primeiro semestre de 2025, o Reino Unido destacou-se como a economia que mais cresceu entre as nações do G7, junto ao Japão, mas experimentou uma desaceleração significativa desde então, em grande parte devido à incerteza em torno de possíveis aumentos de impostos que foram anunciados em seu segundo orçamento, em 26 de novembro.
Recentemente, o Banco da Inglaterra previu um crescimento nulo do PIB para o período de outubro a dezembro, embora considere que o ritmo subjacente do crescimento econômico esteja em torno de 0,2% a cada trimestre. “A composição do crescimento no terceiro trimestre foi um pouco menos dependente dos gastos do governo do que na primeira estimativa”, comentou Alex Kerr, economista do Reino Unido na Capital Economics. No entanto, os dados gerais confirmam a desaceleração da economia após um início vigoroso em 2025, com a Capital projetando um crescimento de apenas 1,0% para o próximo ano, em contraste com 1,4% neste ano, de acordo com Kerr.