É fundamental direcionarmos nosso olhar para 2026. Em anos de eleições, é comum que haja um aumento nas despesas governamentais. De acordo com os dados apresentados pelo governo, essa medida pode gerar, no próximo ano, R$ 22 bilhões a mais, o que poderia auxiliar no cumprimento da meta fiscal. No entanto, o histórico recente não nos dá motivos para otimismo na área fiscal, já que novas despesas costumam surgir, comprometendo o respeito aos limites fiscais.
Uma prática que deve ser revista em 2026 é a exclusão de gastos do arcabouço fiscal. Nos casos de 2025 e 2026, o governo e o Congresso deixaram de considerar R$ 170 bilhões nas regras criadas para manter as finanças públicas em equilíbrio. Como já mencionei, essa abordagem é ilusória: o governo pode evitar penalizações formais, mas não consegue isentar o País das consequências.
Não há decisão que possa eliminar os efeitos negativos na economia real, como o aumento da dívida pública. O mercado nutre a expectativa de uma possível redução nas taxas de juros em 2026. O Banco Central sinalizou claramente que a Selic, atualmente em 15% ao ano, atingiu seu limite, e já começa a impactar a diminuição da inflação. No entanto, não apresentou uma perspectiva de início desse processo de diminuição das taxas.
Os dados sobre inflação ainda não permitem vislumbrar essa possibilidade. O principal fator que mantém os juros elevados é a constante elevação das despesas governamentais. Mesmo assim, é provável que surjam queixas no âmbito político sobre a postura conservadora do Banco Central.
O governo e o Congresso estão trabalhando em um projeto de reforma administrativa que tem sido aprimorado ao longo do ano. Embora anos eleitorais costumem ser mais curtos no Congresso, ainda há quatro meses suficientes para aprovar uma mudança que possa reduzir os custos do aparelho público, eliminar privilégios e aumentar a eficiência dos serviços. Reformas são desafiadoras; não há um momento perfeito para implementá-las: elas ocorrem quando se fazem necessárias.
Desejo a todos um Natal repleto de paz e união, e um Ano Novo cheio de saúde e esperança.