Pelo menos cinco cidades no Ceará passaram por trocas de prefeitos em 2025. Nos municípios de Santa Quitéria, Potiretama e Choró, os chefes do Executivo, eleitos em 2024, foram depostos devido a decisões judiciais e administrativas.
Em Santa Quitéria, foi realizada uma eleição suplementar após a destituição dos eleitos no ano anterior. Em 26 de outubro, Joel Barroso (PSB) foi selecionado para ocupar o cargo temporariamente, junto com Das Chagas (PSB). É importante mencionar que Joel é filho de Braguinha (PSB), que teve seu mandato cancelado pela Justiça Eleitoral por suas ligações com a facção criminosa Comando Vermelho durante as eleições.
Os outros municípios, Potiretama e Choró, permanecem sob a gestão interina dos presidentes das câmaras municipais. Cleverlandio Bezerra (PP) administra Potiretama, enquanto Paulinho Saraiva (PSB) está à frente de Choró. Os prefeitos eleitos nessas localidades não puderam assumir seus cargos devido a problemas legais, incluindo prisão e fuga.
Luan Dantas (PP), eleito em Potiretama, foi detido em abril sob a acusação de orquestrar um incêndio criminoso contra um rival político. Ele também enfrenta outros processos eleitorais, um dos quais resultou na cassação de sua chapa, que incluía Solange Campelo (PT). Além disso, a Câmara Municipal declarou a vacância do cargo, levando à perda do mandato.
Em Choró, Bebeto Queiroz (PSB) e seu vice, Bruno Jucá (PRD), nem chegaram a assumir seus cargos, pois Bebeto é considerado foragido desde dezembro de 2024, quando foi alvo de um mandado de prisão preventiva relacionado a um esquema de compra de votos em várias cidades cearenses. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) cassou ambos em agosto deste ano, e os casos estão agora sendo analisados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nos municípios de Senador Sá e Barroquinha, houve mudanças na titularidade dos mandatos, mas as decisões ainda não são definitivas, pois existem recursos pendentes de análise. Em Senador Sá, a Justiça havia agendado uma eleição suplementar após o TRE-CE identificar abusos de poder político e econômico durante um evento no ano passado. O prefeito Bel Júnior e a vice-prefeita, Profª. Maria, ambos do PP, teriam se beneficiado de práticas irregulares, como a realização de um showmício e a distribuição de brindes a eleitores com recursos públicos.
A eleição suplementar em Barroquinha também estava agendada, mas foi suspensa por uma liminar do TSE. O prefeito Jaime Veras e a vice-prefeita Carmen Lucia, ambos do PSD, foram cassados por uso irregular de recursos eleitorais. Eles são acusados de desviar verbas destinadas a candidaturas de pessoas negras para favorecimento de candidatos brancos, o que contraria as normas de representatividade.
Atualmente, Jaime Veras e Bel Júnior estão buscando reverter as decisões que resultaram em suas cassações, alegando que atuaram dentro da legalidade e com transparência em suas gestões.