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Isenção do Imposto de Renda e incertezas na Selic podem amenizar a desaceleração do PIB

•Joel Santana/Pixabay

De acordo com o relatório semanal “O Canário da Mina”, elaborado pela G5 Partners, o ano de 2026 deve apresentar uma desaceleração no crescimento do PIB em comparação a 2025. Essa redução no ritmo econômico pode ser mais acentuada, não fosse a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, além das incertezas que envolvem a política monetária, conforme aponta o economista-chefe da G5 Partners, Luís Otávio de Souza Leal.

A previsão é que o PIB cresça 2% em 2026, o que representa uma desaceleração de 0,2 ponto percentual em relação à taxa projetada de 2,2% para 2025. Essa variação se deve, em parte, ao menor carrego estatístico entre os dois anos, que ficou em 0,2 ponto percentual, comparado ao carrego de 0,7 ponto percentual observado entre 2024 e 2025.

Adicionalmente, a agricultura deverá contribuir menos, impactando em 0,5 ponto percentual do PIB deste ano, e o mercado de trabalho já demonstra indícios de desaceleração. No entanto, como ressalta o economista Luís Otávio de Souza Leal, chefe do Departamento Econômico da G5 Partners e autor do relatório, “alguns fatores podem ajudar a atenuar essa desaceleração”.

Entre esses fatores, destaca-se a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil, que, segundo suas estimativas, poderá elevar o PIB em 0,26 ponto percentual. Por outro lado, a redução nas taxas de juros apresenta um impacto incerto, dependendo da intensidade. A G5 Partners projeta um crescimento de 2% para o PIB, mas com um viés de baixa em razão da incerteza sobre a trajetória dos juros, influenciada pela inflação atual.

O economista também observa que o Banco Central deveria direcionar a política monetária com base nas expectativas inflacionárias futuras, e não apenas na inflação atual. Entretanto, ele acredita que esse canal de expectativas está comprometido pela eleição presidencial e pelo “custo PT” que o mercado considera em suas projeções de longo prazo.

Ele menciona que, após a eleição de Lula em 2022, a expectativa de inflação para 2025 aumentou de 3% para 3,5%, independentemente da atuação do Banco Central, que estava sob a presidência de Roberto Campos Neto, um nome respeitado no mercado. Atualmente, a expectativa do mercado para 2028 também se mantém em 3,5%. Assim, a inflação corrente se torna a melhor referência para as perspectivas inflacionárias, conforme avalia Souza Leal.

Diante dessa situação, a G5 Partners antecipa uma grande desaceleração do IPCA entre 2025 e 2026, com a taxa passando de 4,38% para 4,30%.

“Por que essa postura cautelosa? Principalmente porque existem muitas incertezas quanto ao comportamento do dólar no próximo ano – nossa projeção é de R$ 5,50, fruto da falta de opções mais criativas – que garantiu a estabilidade da inflação neste ano”, concluiu o economista, ressaltando que a situação do real nos segmentos de Alimentação no domicílio e Bens Industriais ao longo de 2025 é um claro exemplo disso.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade