A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou que a elevação da dívida pública brasileira está diretamente ligada à taxa básica de juros, atualmente fixada em 15% ao ano, e não ao crescimento das despesas governamentais. Essa afirmação contraria a narrativa que predomina em alguns setores do mercado e na cobertura econômica neste final de ano.
Gleisi explicou que, enquanto os gastos públicos aumentaram aproximadamente 5% acima da inflação, os juros superaram o índice inflacionário em mais de 10%. Para a ministra, essa discrepância indica que o principal fator que pressiona a dívida é a política monetária restritiva, e não a conduta fiscal do governo.
Ela também criticou os impactos negativos da taxa de juros elevada na economia real. Segundo Gleisi, os altos juros tornam o crédito mais caro, desincentivam investimentos produtivos e restringem o crescimento econômico, estabelecendo um ciclo que amplia a dívida em vez de diminuí-la.
Além disso, a ministra ressaltou que o pagamento dos juros representa uma parte significativa do Orçamento da União, o que limita a capacidade do governo de financiar serviços públicos, programas sociais e projetos estruturais essenciais para o desenvolvimento do país. Gleisi argumenta que a discussão sobre responsabilidade fiscal deve levar em conta o efeito dos juros elevados nas contas públicas e na economia como um todo.