Funcionários dos Correios em nove Estados iniciaram uma greve em meio às negociações do acordo coletivo, que estão sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A empresa anunciou que foram implementadas “medidas contingenciais” para assegurar a continuidade dos “serviços essenciais à população”. Nas redes sociais, vários usuários relataram atrasos nas entregas devido à greve, expressando preocupações sobre a possível interrupção na entrega de encomendas.
Na quinta-feira, dia 18, o TST emitiu uma decisão liminar, estipulando que pelo menos 80% dos funcionários mantivessem suas atividades nas unidades paralisadas. Caso essa determinação não seja cumprida, uma multa diária de R$ 100 mil poderá ser aplicada por cada sindicato envolvido.
As demandas dos trabalhadores incluem um ajuste salarial que reflita a inflação, um adicional de 70% para férias e de 250% para trabalho em fins de semana e feriados, além da preservação de direitos já conquistados. As federações que representam os empregados estão orientando a categoria a prosseguir com a greve.
Na liminar, a ministra do TST, Kátia Magalhães Arruda, destacou que a deflagração da greve “compromete a boa-fé negocial, especialmente considerando que houve um compromisso explícito das entidades sindicais de não realizar paralisações enquanto as negociações estivessem em andamento”.
Durante uma audiência realizada na terça-feira, 16, foi acordado que a proposta elaborada durante a mediação, válida por dois anos, seria apresentada em assembleias até o dia 23 de dezembro, com a assinatura do acordo prevista para 26 de dezembro. Caso a proposta não seja aprovada, um dissídio coletivo poderá ser instaurado, remetendo a definição das cláusulas à Justiça.
Os Correios afirmaram que a proposta visa preservar benefícios conquistados ao longo do tempo, mesmo diante de um cenário econômico desafiador. A previsão de déficit da empresa para este ano é de R$ 5,808 bilhões, que, se confirmada, será a maior entre todas as estatais.
“A proposta desenvolvida pelo TST, por meio de diálogo com a empresa e as federações, representa uma chance ímpar para uma solução negociada, com a validação prévia do governo e a preservação de benefícios já conquistados”, disseram os Correios.
Em contrapartida, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) declarou que não aceitará propostas que impliquem perda de direitos dos trabalhadores. A entidade também orientou os sindicatos a intensificarem a mobilização em direção a uma greve nacional, caso a empresa “não apresente uma proposta justa”.
“Infelizmente, devido à postura rigidamente intransigente da direção da ECT (Correios), que continua a oferecer propostas que retiram direitos, não conseguimos avançar nas negociações. A Fentect reafirmou sua posição firme de que não aceitará nenhuma proposta que resulte em perda de direitos para os trabalhadores”, concluiu.