Liliane De Grammont, de 46 anos, filha de Lindomar Castilho, divulgou uma carta tocante na manhã deste sábado (20) em memória de seu pai. Na mensagem, a coreógrafa revisita o trágico crime que ele cometeu contra sua mãe e medita sobre sua própria jornada de vida.
Hoje se fecha um ciclo…
O que define a nossa essência? As palavras falham em transmitir a profundidade do que estou sentindo! Experimento uma imensa humanidade, refletindo sobre como estamos aqui para evoluir. Sinto a força das coisas que realmente importam.
Meu pai se foi! E, como qualquer ser humano, sua existência chegou ao fim; ele é apenas mais um que se perdeu em sua vaidade e narcisismo. Ao tirar a vida da minha mãe, ele também morreu em vida. O homem que comete um homicídio se transforma; morre o pai e surge um assassino, levando à ruína uma família inteira.
O que permanece é: somos finitos, nem superiores nem inferiores a ninguém, não possuímos nada nem a ninguém. Somos seres em constante formação, que precisam olhar para dentro e buscar o melhor de si, cercando-se de pessoas que ajudem a revelar a beleza que existe em nós, o que inclui aceitar nossa vulnerabilidade.
Assim me despeço do meu pai, ciente de que fiz minha parte, mesmo que dolorosamente, mas com todo o amor que aprendi a sentir e expressar nesta vida.
Eu perdoei? Essa questão não é simples; envolve todas as camadas das dores e alegrias que acompanham a complexidade de ser um ser em evolução.
Diante de tudo isso, desejo que a alma dele encontre cura, que sua masculinidade tóxica tenha sido transformada.
Pai, tudo é passageiro, não somos donos de nada e nem de ninguém. O que realmente importa é a essência! O que perdura é a conexão entre as almas. O poder traz responsabilidade. Escolha sempre a sua melhor parte! Somos luz e sombra; tenha coragem de optar pela luz.
Despeço-me com a convicção de que esta vida é uma passagem e que o tempo é curto demais para não buscarmos a verdadeira felicidade. Ser feliz é olhar para dentro, aceitar nossa finitude e fazer de cada dia um pequeno milagre.
Pai, descanse em paz e que Deus te receba com amor… Que possamos ter a sorte de uma nova chance.
Lili
Eliane e Lindomar se conheceram em 1977, unindo-se pela música, sendo ambos cantores. Rapidamente, iniciaram um relacionamento e casaram-se após dois anos, com o cantor sendo 15 anos mais velho que Eliane.
Após o casamento, Lindomar passou a pressionar sua esposa a deixar a carreira artística, resultando em um relacionamento marcado por violência e conflitos constantes. Um ano após a união, Eliane decidiu terminar o casamento, algo que não foi bem aceito por Lindomar.
A dinâmica entre eles se deteriorou, caracterizada por controle e brigas. Em 30 de março de 1981, o crime ocorreu: Eliane se apresentava no Café Belle Époque, em São Paulo, quando Lindomar entrou no local, subiu ao palco e disparou cinco vezes com uma arma.
O crime chocou o Brasil e se tornou um símbolo da luta contra a violência doméstica. Lindomar recebeu uma condenação de 12 anos de prisão, enquanto o lema “Quem ama não mata” ganhou destaque.
Em 2020, Liliane de Grammont, filha do casal, revelou que passou anos longe do pai após entender as circunstâncias da morte da mãe, mas decidiu se reaproximar dele após ele deixar a prisão.
O cantor Lindomar Castilho, conhecido como o “Rei do Bolero” e referência na música brega, faleceu na manhã deste sábado (20), aos 85 anos. Ele é lembrado por sucessos como “Você é Doida Demais” e “Eu Vou Rifar Meu Coração”. A causa de sua morte não foi divulgada, embora ele enfrentasse problemas de saúde há quase uma década.