A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) enviou uma carta ao Ministério do Trabalho e Emprego propondo alterações no programa de crédito consignado implementado pelo governo federal. A iniciativa, segundo a organização, visa prevenir o superendividamento dos trabalhadores. A FIEMG busca conter a liberação de recursos do programa criado pelo presidente Lula.
A proposta foi desenvolvida com base em um estudo técnico realizado pela Gerência Trabalhista da FIEMG e foi apresentada ao secretário de Proteção ao Trabalhador, Carlos Augusto Simões. Os dados coletados revelam que, desde o lançamento do programa Crédito do Trabalhador em março, houve um aumento significativo na concessão de empréstimos no setor privado. Até outubro, foram liberados R$ 82,1 bilhões em crédito, resultando na assinatura de 12,2 milhões de contratos por 7,1 milhões de trabalhadores, com um valor médio de R$ 11 mil e uma taxa de juros média de 4,38% ao mês.
Minas Gerais acumula R$ 6,4 bilhões em crédito consignado, posicionando-se atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, a FIEMG expressa preocupação com a “deterioração” das condições de crédito. Em 2025, a taxa anual média do crédito consignado privado passou de 38,7% para 52,6%, enquanto o prazo médio de pagamento diminuiu de 51,3 para 40,9 meses.
Embora a entidade observe que a inadimplência não aumentou de forma significativa, o encurtamento dos prazos e o aumento dos custos do crédito podem comprometer a renda e elevar o risco de superendividamento, especialmente entre os trabalhadores mais vulneráveis.
A proposta da FIEMG consiste em três mudanças no programa. Flávio Roscoe, presidente da entidade, enfatiza que o crédito deve ser encarado como uma ferramenta de equilíbrio financeiro, e não como um fator que agrava a vulnerabilidade social. “A FIEMG reconhece que o crédito é um recurso crucial para o acesso ao consumo e à estabilidade financeira, mas é fundamental assegurar que ele seja sustentável. O novo consignado está pressionando a renda dos trabalhadores e pode levar muitos à informalidade”, afirmou.