As forças armadas dos Estados Unidos anunciaram a execução de um “ataque robusto” direcionado ao grupo Estado Islâmico (EI) na Síria, como resposta à morte de soldados americanos na região. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que aeronaves de combate, helicópteros de ataque e artilharia devastaram mais de 70 alvos em diversas localidades no centro da Síria, com a participação de aeronaves da Jordânia.
O governo dos EUA declarou que a operação empregou mais de 100 mísseis de precisão, focando em infraestrutura e depósitos de armas identificados do EI. O presidente Donald Trump destacou que “estamos atacando com intensidade” os bastidores do EI, após um ataque realizado pelo grupo em 13 de dezembro na cidade de Palmira, que resultou na morte de dois soldados americanos e um intérprete civil.
Em um comunicado emitido na sexta-feira (19), o Centcom, responsável pelas operações militares americanas na Europa, África e Indo-Pacífico, revelou que a Operação Hawkeye Strike teve início às 18h no horário de Brasília. O comandante do Centcom, Almirante Brad Cooper, afirmou que os EUA “continuarão a caçar incansavelmente os terroristas que ameaçam a segurança dos americanos e de nossos aliados na região”.
Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR), informou à agência de notícias AFP que “pelo menos cinco integrantes do EI foram eliminados” na província de Deir ez Zor, no leste da Síria, entre eles o líder de uma célula que operava drones na área. O Estado Islâmico não fez comentários públicos sobre o ataque, e a BBC não conseguiu confirmar imediatamente os alvos atingidos.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que a operação “não marca o início de uma guerra, mas sim uma declaração de retaliação”. Ele acrescentou: “Se você atacar americanos — em qualquer lugar do mundo — você viverá o resto de sua curta e angustiante vida sabendo que os Estados Unidos irão atrás de você, encontrar você e eliminá-lo sem piedade.” Hegseth afirmou que “hoje, caçamos e eliminamos nossos inimigos. Muitos deles. E continuaremos”.
Em uma postagem em sua rede social Truth Social, Trump afirmou que os EUA “estão impondo uma retaliação significativa, exatamente como prometi, aos terroristas assassinos responsáveis”. Ele também mencionou que o governo sírio estava “totalmente em apoio”.
O Comando Central (Centcom) já havia relatado anteriormente que o ataque letal em Palmira foi realizado por um atirador do EI, que foi “encontrado e eliminado”. Outros três soldados americanos ficaram feridos na emboscada, e um oficial do Pentágono ressaltou que o incidente ocorreu “em uma área fora do controle do presidente sírio”.
Por outro lado, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR) afirmou que o agressor era um membro das forças de segurança sírias. Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelo ataque, e a identidade do atirador permanece desconhecida.
Em 2019, uma aliança de combatentes sírios apoiada pelos EUA anunciou que o EI havia perdido seu último bastião territorial na Síria, mas o grupo jihadista desde então tem realizado alguns ataques. As Nações Unidas afirmam que o EI ainda conta com uma força de 5.000 a 7.000 combatentes na Síria e no Iraque.
As tropas americanas estão presentes na Síria desde 2015, com o objetivo de treinar outras forças como parte de uma campanha contra o Estado Islâmico. Recentemente, a Síria se uniu a uma coalizão internacional para combater o EI e prometeu colaboração com os EUA. Em novembro, o presidente sírio Ahmed al-Sharaa — um ex-líder jihadista cujas forças de coalizão derrubaram o regime de Bashar al-Assad em 2024 — se reuniu com Trump na Casa Branca, descrevendo sua visita como parte de uma “nova era” entre os dois países.