As lideranças da União Europeia (UE) não conseguiram viabilizar a assinatura imediata do tratado comercial com o Mercosul. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, informou aos demais chefes de Estado do bloco que optou por postergar o cronograma para janeiro, conforme relatado pelo site Politico.
O acordo enfrentou um novo obstáculo político dias antes da data prevista para sua assinatura, devido à mudança de postura da Itália, que passou a defender o adiamento e alinhou-se à resistência da França. O pacto de livre comércio, que vem sendo negociado há 26 anos, continua sendo um dos temas pendentes na agenda da reunião do Conselho Europeu, que acontece em Bruxelas, na Bélgica. Nas últimas horas, a sede da UE foi palco de manifestações de agricultores contrários ao tratado, que bloquearam vias, lançaram esterco de vaca e até incendiaram uma praça, resultando em confrontos com a polícia.
Diplomatas europeus relataram que ainda havia uma possibilidade de votação do acordo nesta sexta-feira (19), embora a incerteza predominasse. As opiniões estavam divididas entre uma sutil esperança e a desistência. As negociações nos bastidores avançaram ao longo do dia, contando até com um apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que contatou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, na quinta-feira (18). Lula mencionou que Meloni solicitou um tempo adicional, talvez algumas semanas, até janeiro, para tentar convencer o setor agrícola italiano de que suas preocupações seriam atendidas e que estariam sob as mesmas regras que os demais.
O presidente brasileiro havia declarado que abandonaria a busca pela formalização do acordo durante seu mandato se os europeus não cumprissem o que havia sido acordado, mas depois afirmou que, se a resistência na Europa persistisse, levaria o assunto aos outros presidentes do Mercosul para discutir os próximos passos na reunião de sábado (20).
Os líderes da UE decidiram não submeter o texto à votação caso houvesse um risco real de derrota – nesse cenário, o procedimento seria adiado, o que se concretizou nesta quinta-feira. O componente comercial do Acordo Mercosul seria discutido entre os líderes dos 27 países da Europa durante a reunião do Conselho Europeu.
As regras estipulam a necessidade de uma maioria qualificada: o apoio de 15 países que representem pelo menos 65% da população europeia. Para rejeitar o acordo, seriam necessários votos de países que somassem 35% da população da UE, um percentual que seria facilmente alcançado com os votos da França, Itália, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda.