Nesta quinta-feira (18), o TikTok anunciou a formalização de um acordo de joint venture com investidores, que permitirá à plataforma continuar suas atividades nos EUA e evitar a ameaça de proibição devido à sua ligação com a China, conforme reportado pela imprensa americana.
Uma joint venture é uma colaboração entre duas ou mais empresas que une recursos, expertise e capital para um objetivo comum, sem que haja uma fusão completa, preservando assim suas identidades legais e compartilhando lucros, riscos e custos.
De acordo com um memorando interno mencionado pela Bloomberg e pela Axios, o CEO do TikTok, Shou Chew, comunicou aos funcionários que tanto a empresa de mídia social quanto sua controladora, a ByteDance, concordaram com a criação dessa nova entidade, que terá como principais investidores a Oracle, a Silver Lake e a MGX, de Abu Dhabi.
Larry Ellison, fundador e presidente da Oracle, é um conhecido aliado do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Chew esclareceu que um terço da joint venture nos EUA será detido por investidores já associados à ByteDance, enquanto quase 20% permanecerão sob a posse da ByteDance, respeitando assim o limite legal para a participação de empresas chinesas.
Essa nova estrutura do TikTok surge em resposta a uma legislação aprovada pelo ex-presidente Joe Biden, que exigiu a venda das operações do TikTok nos EUA ou a possibilidade de uma proibição no maior mercado da plataforma. Autoridades americanas, incluindo Trump durante seu mandato, expressaram preocupações de que a China poderia utilizar o TikTok para coletar dados de cidadãos americanos ou influenciar usuários através de seu algoritmo avançado.
Trump, no entanto, adiou a implementação da lei por meio de várias ordens executivas, estendendo o prazo até janeiro. O acordo confirma em grande parte o que foi anunciado pela Casa Branca em setembro, indicando que uma nova parceria foi estabelecida com a China, alinhando-se aos requisitos da legislação de 2024.
“Após a conclusão do acordo, a joint venture nos EUA operará como uma entidade independente, responsável pela proteção de dados, segurança de algoritmos, moderação de conteúdo e garantias de software dentro do país”, afirmou Chew em seu memorando, conforme citado pela Bloomberg.
Todavia, “as entidades da TikTok Global nos EUA gerenciarão a interoperabilidade global dos produtos, além de certas atividades comerciais, como comércio eletrônico, publicidade e marketing”, acrescentou ele. O memorando não esclareceu se essa unidade permanecerá sob a propriedade da ByteDance. Este documento foi o primeiro sinal de que o TikTok aceitou o acordo anunciado pelo governo Trump, que ainda requer a aprovação do governo chinês para seguir em frente.
No final de setembro deste ano, Trump revelou um acordo que permitiria que o TikTok operasse sob o controle de investidores americanos, com a intenção de evitar a proibição da plataforma, que estava iminente devido à influência da ByteDance, sua empresa controladora. Essa decisão foi tomada meses após a promulgação de uma lei pelo então presidente Joe Biden, que estipulava a proibição da rede social caso não houvesse um processo de desinvestimento, com o prazo para desvinculação da empresa chinesa terminando neste ano.
Trump, no entanto, adiou diversas vezes o banimento através de ordens executivas, permitindo que o aplicativo continuasse disponível para seus cerca de 170 milhões de usuários ativos nos EUA.