O acumulado até novembro de 2025 evidencia a competitividade do sistema portuário gaúcho e a sua crescente importância no comércio internacional. O aumento constante nas operações dos portos de Rio Grande e Pelotas contrasta com a queda registrada em Porto Alegre, afetada por enchentes e o processo de dragagem da hidrovia.
Desempenho positivo em meio a desafios
Os portos públicos do Rio Grande do Sul — Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre — movimentaram 42,37 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2025. Este resultado, o mais significativo desde 2021, representa um aumento de 3,01% em comparação ao ano anterior e de 2,30% em relação a 2023. Essa performance demonstra a resiliência da infraestrutura logística do estado frente a adversidades climáticas e instabilidades no comércio global.
Cristiano Klinger, presidente da Portos RS, atribui esse desempenho à eficiência operacional dos terminais, ao planejamento integrado e à robustez da produção primária. “Os dados confirmam o potencial do sistema portuário como um impulsionador de competitividade e desenvolvimento”, destacou.
Porto do Rio Grande: motor da movimentação
Com um total de 40,88 milhões de toneladas, o Porto do Rio Grande foi responsável por mais de 96% da movimentação do estado. O crescimento foi de 3,67% em relação a 2024, com predominância do granel sólido (59,8%), seguido pelas cargas gerais (32,5%) e granel líquido (7,6%).
Entre os produtos que se destacaram, o farelo de soja apresentou um crescimento de 17,47% (totalizando 4 milhões de toneladas), o milho teve um aumento notável de 810% (com 787 mil toneladas) e a celulose cresceu 13,67% (com 3,8 milhões de toneladas). Também houve um aumento na movimentação de carnes (5,4%) e sulfatos (40,6%).
Na movimentação de contêineres, o porto alcançou 934.691 TEUs, representando um crescimento de 29,11% em relação a 2024. Os meses de maio, janeiro e outubro foram os que mais contribuíram para esse aumento, refletindo o aquecimento das operações logísticas no segundo semestre.
Porto de Pelotas: interior fortalecido
O Porto de Pelotas movimentou 1,17 milhão de toneladas, com um incremento de 10,37% em relação ao ano anterior. A operação foi dominada pelas toras de madeira, que totalizaram mais de 1 milhão de toneladas. O clínquer (98,7 mil toneladas) e a soja em grão (12,7 mil toneladas) também se destacaram.
Porto de Porto Alegre: efeitos das enchentes
Por outro lado, o Porto de Porto Alegre enfrentou uma queda de 50,14%, movimentando 317,8 mil toneladas. Fertilizantes (199,5 mil toneladas), trigo (49,7 mil) e sal (14,1 mil) foram os principais produtos operados. A diminuição é atribuída às enchentes que afetaram a região e ao processo de dragagem da hidrovia, que em breve deve avançar, permitindo a retomada da navegação de longo curso.
Comércio exterior: China em destaque
A China se manteve como o principal destino das exportações, com 9 milhões de toneladas (39,5% do total). Vietnã, Coreia do Sul, Indonésia e Estados Unidos seguiram na lista. Em termos de importações, o país asiático também liderou, com 2,3 milhões de toneladas (21,5%), seguido por Argentina, Rússia, Arábia Saudita e Canadá.
Expectativa de fechamento positivo
De janeiro a novembro, os portos públicos operaram com aproximadamente 3.500 embarcações, sendo 2.900 somente em Rio Grande. A Portos RS espera que o fechamento de 2025 mantenha a trajetória de crescimento observada nos últimos trimestres.
Para Juvir Costella, secretário de Logística e Transportes, os números reafirmam a importância estratégica dos portos gaúchos. “Mesmo em um cenário desafiador, o sistema continuou apresentando um desempenho consistente, garantindo eficiência logística e competitividade para as cadeias produtivas”, comentou. (por Gisele Flores- [email protected])