Enquanto se esforça para finalizar o tratado com a União Europeia, o Mercosul está atualmente envolvido em negociações para mais de dez acordos comerciais que abrangem países das Américas até a Ásia. A diplomacia da América do Sul percebe um ambiente global favorável para progressos e acelera as discussões.
O acordo com a UE, que foi concluído em 2024 após um longo processo de 25 anos, é o que mais se aproxima da sua implementação. Havia a expectativa de que a assinatura pudesse ocorrer durante a Cúpula do Mercosul, marcada para este sábado em Foz do Iguaçu (PR), mas a França e a Itália conseguiram adiar essa formalização.
O principal obstáculo para o avanço do tratado é a pressão exercida por agricultores europeus, que temem que a entrada de produtos sul-americanos em seus mercados prejudique seus negócios. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirma que pode persuadir o setor agrícola e facilitar a assinatura em janeiro, e o Mercosul concordou em aguardar.
Além disso, o acordo de livre comércio com os Emirados Árabes Unidos é o que está mais próximo de ser finalizado. De acordo com a diplomacia brasileira, a conclusão das negociações iniciadas em 2024 depende apenas de “uma ou duas questões”. Embora o tratado não seja anunciado na Cúpula de Foz do Iguaçu, a expectativa é que isso ocorra nos próximos meses.
O Mercosul também planeja concluir um acordo de livre comércio com o Canadá até 2026, com uma rodada de negociações agendada para fevereiro em Brasília. As discussões com os canadenses começaram em 2018, foram interrompidas em 2021 e foram retomadas agora em 2025.
Além disso, está em curso a ampliação de um Acordo de Comércio Preferencial (ACP) com a Índia, que atualmente abrange 452 itens e é considerado pequeno. Na Ásia, estão sendo realizadas negociações com Japão, Vietnã e Indonésia.
Na América Central e no Caribe, o Mercosul busca intensificar o comércio com Panamá, República Dominicana e El Salvador. O Panamá, que recentemente assinou um Acordo de Complementação Econômica (ACE), acaba de se tornar um Estado Associado e manifestou interesse em aumentar suas trocas comerciais com os países sul-americanos.
O Brasil lidera as negociações com Panamá e República Dominicana, enquanto a Argentina coordena a terceira frente na América Central. O alinhamento ideológico entre os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, é considerado um trunfo.
No continente sul-americano, estão em andamento conversas com a Colômbia para aprimorar um ACE existente e com o Equador para negociar um novo acordo que amplie e aprofunde compromissos comerciais.
Nos últimos anos, o Mercosul tem acelerado suas negociações. Além de concluir o acordo com a UE, finalizou em 2025 um tratado com o EFTA (Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein). Nos 20 anos anteriores, o bloco havia firmado apenas três acordos de livre comércio, com Israel, Egito e Palestina.