O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um convite a Gustavo Feliciano para que ele assuma a pasta do Ministério do Turismo, em substituição a Celso Sabino, nesta quinta-feira (18), conforme divulgou o Palácio do Planalto. Feliciano, indicado pelo União Brasil, aceitou a proposta.
A saída de Celso Sabino do cargo foi anunciada por Lula ao término da reunião ministerial realizada na quarta-feira (17), segundo fontes próximas. Durante um encontro no Palácio do Planalto, o presidente recebeu o deputado Pedro Lucas (União-MA), que é o líder do partido, além de Gustavo Feliciano e seu pai, o deputado Damião Feliciano (União-PB), assim como o ex-ministro Juscelino Filho (União-MA).
Gustavo Feliciano foi escolhido pelo União Brasil para o ministério após o partido solicitar a devolução do cargo de Sabino, em decorrência da expulsão do ministro. Apesar do anúncio da substituição e da indicação de Feliciano, a mudança ainda não foi formalizada no “Diário Oficial da União”.
A reunião no Planalto durou aproximadamente 30 minutos e teve como propósito oficializar o convite para que Gustavo Damião assuma a pasta. A expectativa é que sua posse ocorra na próxima semana, possivelmente na terça-feira (23).
Mudança no ministério
Damião Feliciano, que é um dos coordenadores da bancada evangélica e da bancada negra na Câmara, também participou das negociações para a nomeação do novo ministro junto à ala governista do partido. Fontes confirmaram que o nome de Gustavo Feliciano recebeu o aval de Antônio Rueda, presidente do União Brasil, que já havia anunciado a saída do partido do governo.
A escolha de um representante evangélico para o cargo é vista como mais um gesto do presidente Lula em direção a esse segmento do eleitorado. Celso Sabino foi expulso do União Brasil no final do mês passado, após a cúpula do partido considerar que ele cometeu infidelidade partidária ao desobedecer uma ordem e decidir permanecer à frente do ministério, mesmo contra a vontade da liderança da legenda.
De acordo com assessores de Lula, o União Brasil solicitou a restituição do cargo após a expulsão de Sabino, e as negociações foram realizadas entre o partido e a ala política do Planalto. A saída de Sabino foi comunicada após o término da reunião ministerial na Granja do Torto, e ele deverá concorrer ao Senado nas próximas eleições.
Desembarque do União
Em setembro, o União Brasil aprovou uma resolução que exigia que seus filiados deixassem os cargos no governo de Lula. O texto, validado pela liderança nacional do partido, previa punições disciplinares para aqueles que não seguissem a norma, incluindo a expulsão, como ocorreu com Sabino, que decidiu permanecer no cargo de ministro do Turismo.
Embora a medida tenha sido severa, o partido deixou uma margem para que continuasse exercendo influência nas decisões governamentais. A situação não afetou os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações), que embora vinculados ao partido, não são filiados a ele.
Waldez Góes ocupa o ministério desde o início do mandato de Lula, sendo filiado ao PDT, mas deixando suas funções partidárias para assumir a posição como indicado do União Brasil, especificamente por Davi Alcolumbre. Por sua vez, Frederico Siqueira foi nomeado e empossado ministro das Comunicações em abril, após a saída de Juscelino Filho (União-MA), que deixou o cargo devido a denúncias de irregularidades em emendas parlamentares.
Após a demissão de Juscelino, o cargo ficou vago por duas semanas. Durante esse período, o União Brasil chegou a indicar Pedro Lucas como futuro ministro. No entanto, após pouco tempo, ele se desculpou com Lula e declinou o convite, uma decisão influenciada por disputas internas no partido e preocupações com a perda de influência na Câmara.
A exigência de que os filiados deixassem a gestão de Lula foi aprovada após a divulgação de reportagens que sugeriam uma suposta ligação entre Antonio de Rueda e o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que Rueda nega. Em uma nota à imprensa na época, o partido expressou a percepção de que o governo federal estava utilizando informações para desgastar sua liderança.
Além disso, o União Brasil se uniu ao PP, liderado por Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro e apoiador de Jair Bolsonaro (PL), formando uma federação partidária. Internamente, a avaliação do União Brasil é de que a situação se tornou insustentável após Lula afirmar que Rueda não tinha apreço por ele ou pelo governo, ao que Rueda respondeu com uma nota ressaltando a importância da independência política do partido.