** Nesta sexta-feira (19), a juíza Ana Carolina Rauen decidiu pela prisão preventiva de Arthur Caique Benjamin de Souza, de 27 anos, um dos suspeitos envolvidos no assassinato da mulher trans Alice Martins Alves, ocorrido em Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em relação ao outro suspeito, William Gustavo, de 20 anos, o pedido foi negado, pois a juíza considerou que sua participação no crime ainda requer mais investigação.
Como noticiado pela Itatiaia na quinta-feira (18), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) reiterou o pedido de prisão preventiva dos dois garçons implicados no caso. A solicitação, assinada pelo promotor de Justiça Guilherme de Sá Meneghin, foi protocolada na terça-feira (16) e estava aguardando a avaliação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
“O Ministério Público apoia a solicitação da autoridade policial e requer a prisão preventiva de Arthur Caique Benjamin de Souza e William Gustavo de Jesus do Carmo, com base nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal, visando à manutenção da ordem pública e à aplicação da lei penal”, afirmou o promotor.
Esse pedido do MPMG ocorreu após a declaração do advogado Tiago Lenoir, que atua como assistente de acusação representando a família de Alice no processo. Antes da decisão desta semana, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, já havia negado pedidos anteriores de prisão preventiva contra os réus.
Em uma coletiva de imprensa realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais no dia 4 de dezembro, as autoridades relataram que Arthur e William Gustavo perseguiram e agrediram a mulher trans Alice Martins Alves na madrugada de 23 de outubro, após ela deixar um estabelecimento sem pagar uma conta de R$ 22.
As investigações indicam que Arthur foi identificado como o principal responsável pelo ataque, uma vez que ele era o garçom da mesa e perderia uma gorjeta de R$ 2,20 devido à conta não paga. O suspeito possui registros na polícia por tentativa de roubo e uso de substâncias ilícitas.
De acordo com a Polícia Civil, William Gustavo se uniu a Arthur na perseguição à vítima. Durante as agressões, ele se referiu a Alice usando o pronome “ele”, o que, segundo a delegada responsável pelo caso, sugere uma motivação transfóbica.
Dessa forma, a Polícia Civil concluiu que, embora a dívida tenha sido o gatilho do crime, a transfobia foi um fator crucial para a brutalidade das agressões.
No último dia 10, a Justiça de Minas Gerais anunciou que aceitou a denúncia do Ministério Público (MPMG) e tornou os dois garçons réus pelo assassinato de Alice Martins Alves, sendo acusados de feminicídio qualificado.
Imagens disponibilizadas à Itatiaia mostram os hematomas pelo corpo da mulher trans que foi espancada em Belo Horizonte.