Um vídeo impressionante, gravado pela jovem Danielly Batista dos Santos, de 18 anos, se tornou viral ao revelar um fenômeno extraordinário nas águas da Praia da Solidão, em Florianópolis: a bioluminescência, um efeito que faz com que algas microscópicas iluminem o mar em uma paleta de azuis brilhantes. Essa luz mágica se manifesta com o movimento da água, seja através das ondas ou até mesmo ao pisar na areia (assista acima).
Em entrevista ao g1, a residente do bairro Campeche compartilhou que as filmagens foram feitas na terça-feira (17), enquanto desfrutava de um passeio noturno com seus pais. Poucas horas antes, ela havia discutido com um amigo o apelido “Ilha da Magia”, frequentemente atribuído à capital catarinense, e se questionava se já havia vivenciado algo verdadeiramente mágico.
“Sem dúvida, esse fenômeno foi a resposta que eu buscava. Foi mágico”, declarou.
A bioluminescência é provocada por microalgas, conhecidas como fitoplâncton, especialmente da espécie Noctiluca scintillans, que é comum na costa sul do Brasil. Essas algas emitem luz como um mecanismo de defesa e são visíveis apenas à noite, já que a luz solar ofusca seu brilho.
De acordo com especialistas, não há um padrão específico que determine quando ocorre esse fenômeno, e as microalgas envolvidas não costumam causar danos aos humanos em contato direto com a água, como durante um banho. O fenômeno é mais prevalente em águas rasas e se intensifica com o movimento, como o de uma onda se formando ou a passagem de uma embarcação, criando trilhas cintilantes que iluminam o mar.
Apesar de sua beleza, o fenômeno também pode servir como um sinal de alerta. O professor de Oceanografia e Ecologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta, explica que ocorrências como essa podem ser um indicativo de que o oceano enfrenta problemas de saúde e tendem a se tornar mais frequentes devido às mudanças climáticas, que afetam tanto a temperatura quanto a acidez da água.
“O aumento desses eventos está relacionado à alta concentração de nutrientes no mar, resultado da poluição, aliado a condições climáticas favoráveis. Há o risco de normalizarmos essa situação, mas os impactos para a saúde pública e ambiental são significativos”, adverte.
Horta ressalta que nem todas as florações de algas são inofensivas; algumas podem liberar toxinas prejudiciais à vida marinha e aos seres humanos, alterando a coloração da água para tons de vermelho, marrom ou verde. “Essas substâncias podem ameaçar a biodiversidade e representar riscos sanitários”, completa.
Os especialistas enfatizam que a principal estratégia para lidar com essa situação é o monitoramento constante das florações e a diminuição da poluição nos oceanos. “Precisamos de ações emergenciais e contínuas”, conclui o professor.