A crise teve início quando o senador revelou ter intermediado um acordo para acelerar a votação do projeto, sem a anuência da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. A ministra considerou a maneira como a liderança no Senado foi conduzida um “erro lamentável” e afirmou que o andamento da proposta ia contra a posição do governo, que se opunha ao texto. Para Gleisi, a aprovação do projeto representa um “desrespeito à decisão do STF e um grave retrocesso na proteção da democracia”.
Em resposta, Jaques Wagner utilizou suas redes sociais para criticar a exposição pública do desentendimento. “Lamentável é nos rendermos ao debate raso e superficial. É despachar divergências de governo por rede social”, postou.
Embora tenha coordenado o acordo de votação, Wagner deixou claro ser contrário ao conteúdo do projeto, que visa reduzir as penas de condenados pelos eventos golpistas de 8 de janeiro. “Não fiz nenhum acordo sobre o mérito, continuo sendo contra; considero o projeto um absurdo”, afirmou.
O acordo previa a votação imediata do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário, em troca da inclusão de um projeto prioritário do governo relativo a cortes em benefícios fiscais. Essa negociação gerou descontentamento entre a base aliada, levando partidos como MDB e PSD a se retirarem da votação na comissão e intensificando o desgaste interno do governo no Senado.