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Haddad defende a importância de persistir no acordo entre Mercosul e UE

•Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua convicção de que é válido continuar a busca pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia, mesmo que isso exija um tempo adicional. Ele argumentou que as resistências apresentadas na Europa não correspondem a perdas econômicas significativas e que podem ser superadas por meio de um diálogo mais aprofundado. “Eu realmente acredito que vale a pena persistir nessa perspectiva. Primeiro, porque não há prejuízos. Os agricultores italianos e franceses não estão sendo afetados. Não há”, declarou Haddad durante um encontro com jornalistas no Ministério da Fazenda nesta quinta-feira (18).

O ministro observou que parte da oposição ao tratado surge da exploração política de questões internas, sem relação direta com o conteúdo do acordo. Além disso, a presidente da Comissão Europeia comunicou aos líderes da UE, durante uma cúpula, que a assinatura do acordo com o Mercosul foi postergada, conforme relataram três fontes à Reuters.

Haddad enfatizou que o texto em negociação inclui medidas de proteção para os produtores europeus. Para ele, se alguns países da Europa necessitam de mais tempo para esclarecer o tratado à sua população e setores produtivos, pode ser sensato aguardar um período adicional. “Se alguns países europeus precisam de mais tempo para esclarecer isso com a opinião pública e os produtores, acredito que, se for um tempo curto, vale a pena esperar”, afirmou.

O ministro ressaltou que o acordo vai além de questões comerciais, apresentando uma importância geopolítica em um mundo que enfrenta crescente fragmentação econômica. Ele destacou que essa negociação demonstra que ambos os blocos não devem seguir por um caminho de isolamento. “O que estava em jogo era muito mais do que um simples acordo comercial. Tratava-se de um acordo de natureza política, enviando uma mensagem clara ao mundo de que não poderíamos nos voltar para um ambiente de tensão entre blocos fechados”, afirmou.

Haddad revelou que mantém comunicação direta com líderes europeus e mencionou ter trocado mensagens com o presidente francês, Emmanuel Macron, sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Recentemente, Macron afirmou que “não era viável assinar o acordo”.

O ministro reiterou que o tratado possui uma importância que transcende o comércio, representando um sinal político significativo no cenário internacional. “Enviei uma mensagem a ele [Macron] destacando que o que estava em jogo não era apenas um acordo comercial. Era um acordo de natureza política, com um sinal claro para o mundo de que não deveríamos nos voltar para um ambiente de tensão. Precisávamos abrir espaço na esfera geopolítica, e o acordo União Europeia–Mercosul representava essa oportunidade que o mundo necessitava”, afirmou.

Segundo Haddad, Macron respondeu de maneira amigável, expressando apreço pelo Brasil e a necessidade de aprofundar as negociações. O ministro também mencionou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu o tema com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, em um esforço para avançar no diálogo político sobre o acordo.

Havia esperanças de que o tratado, que está em negociação há mais de duas décadas, fosse assinado neste sábado (20) durante a cúpula dos líderes do Mercosul. No entanto, com a Itália se unindo à França, Polônia e Hungria contra o acordo, a formalização foi adiada para janeiro. A justificativa é permitir mais tempo para proteger a agricultura desses países. Esta semana, o parlamento europeu também aprovou medidas de salvaguarda para produtos provenientes da América do Sul, o que foi considerado preocupante por autoridades brasileiras.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade