A situação financeira dos Correios está impactando seriamente o seu plano de saúde, o Postal Saúde. Beneficiários relatam cancelamentos de consultas, descredenciamento de hospitais e clínicas, além de dificuldades na autorização de exames e tratamentos. De acordo com o balanço mais recente da empresa, a dívida da estatal com o plano chegou a R$ 740 milhões em setembro, mais que o dobro do montante de R$ 348 milhões registrado em dezembro de 2024.
Em resposta a essa crise, os Correios afirmam que estão se esforçando para assegurar a continuidade do atendimento. Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), o Índice Geral de Reclamações (IGR) do Postal Saúde, que atende aproximadamente 193 mil beneficiários, dobrou desde fevereiro deste ano, em meio à deterioração das condições financeiras da empresa.
Roberval Borges, presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap), que representa cerca de 20 mil funcionários ativos e aposentados, destacou a gravidade da situação, afirmando que a falta de pagamento da estatal ao plano resultou em problemas generalizados no atendimento. “A dívida ultrapassa R$ 700 milhões, e a situação é crítica. Há relatos alarmantes, incluindo a suspensão de tratamentos oncológicos”, comentou.
Os Correios, em nota, informaram que estão colaborando com a operadora para garantir a continuidade do atendimento aos beneficiários. Por sua vez, a Postal Saúde optou por não se manifestar sobre o assunto.
A ANS classificou a situação do plano como “regular de monitoramento” em termos assistenciais e econômicos, mas ressaltou que a operadora está sob acompanhamento desde junho de 2024 devido a um desempenho insatisfatório e altas taxas de reclamações.
A expectativa é que um empréstimo de R$ 12 bilhões, atualmente em análise pelo Tesouro, possa ser utilizado para quitar a dívida e restabelecer a normalidade nas operações. A ANS observou que houve um período de melhora, mas que os resultados não foram sustentados pelo plano. “Se a operadora não cumprir as exigências da ANS, poderá ser submetida a regimes de direção fiscal e técnica, que visam regularizar os atendimentos e a saúde financeira das instituições reguladas”, concluiu a agência.