A recente decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, que resultou na cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), aliviou a carga sobre o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A pressão exercida pelo PL para que os casos fossem levados ao plenário foi superada pelo Centrão, que optou por evitar a exposição e o desgaste político dos parlamentares.
Motta enfrentou a pressão do Centrão para realizar a cassação de Eduardo e Ramagem, a fim de preservar os deputados de uma votação potencialmente desgastante no plenário. Nos últimos dias, havia um crescente temor em relação a dois aspectos: a possibilidade de adiar o tema para 2026 e a existência de uma decisão colegiada do Supremo Tribunal Federal (STF) referente ao caso de Ramagem.
Nos bastidores, a opinião predominante era de que houve uma falha na estratégia adotada na semana anterior envolvendo a deputada Carla Zambelli (PL-SP), quando o assunto foi levado ao plenário. A ideia de submeter os processos à votação no plenário, como chegou a ser considerado, seria encarada como um “tiro no pé”, pois não só criaria insegurança nos procedimentos internos, mas também exporia os deputados em um período delicado.
Desde 2013, as votações de cassação são realizadas de forma aberta, o que intensifica a pressão sobre os parlamentares, especialmente em um ano eleitoral. Os deputados temem ser responsabilizados por suas escolhas em um período tão crítico. O Centrão trabalhou ativamente para evitar esse tipo de desgaste, articulando para que a Mesa tomasse uma decisão sem a necessidade de votação aberta.
Além disso, havia receios de uma crise institucional mais grave, uma vez que levar o assunto ao plenário implicaria um confronto direto com o STF, o que seria extremamente desfavorável para os deputados. Ramagem foi condenado pelo Supremo por tentativa de golpe de Estado e se encontra foragido, enquanto Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o início do ano.
A perda do mandato do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não foi fruto de uma condenação, embora ele enfrente acusações de coação à Justiça, mas sim pela quantidade excessiva de faltas, que ultrapassou o limite permitido para a manutenção do cargo. Com essa decisão, Hugo Motta resolve um impasse que poderia agravar a tensão entre o Legislativo e o Judiciário.