Um dos pistoleiros mais notórios do Ceará está prestes a ser julgado por um novo homicídio. Cássio Santana de Sousa, conhecido como ‘Monstro’ ou ‘Careca’, será submetido a júri popular em fevereiro de 2026, acusado de assassinar João Gondim de Menezes, proprietário de uma oficina em Tabuleiro do Norte, onde foi alvejado a tiros.
Cássio, de 46 anos, já é alvo de diversas acusações de homicídios e possui vínculos com a facção Comando Vermelho (CV). Entre os crimes pelos quais já foi julgado está o assassinato do radialista Nicanor Linhares e a famosa chacina de Limoeiro do Norte, que resultou na morte de sete pessoas. O julgamento de Cássio está agendado para o dia 6 de fevereiro de 2026, às 9h, onde ele enfrentará a acusação de homicídio qualificado de João Gondim, que foi morto com quatro tiros em agosto de 2003, há 22 anos, no chão da oficina em que trabalhava.
A defesa de Cássio Santana declarou ao Diário do Nordeste que “atuará com base nas provas presentes nos autos, confiando na absolvição, dado que as evidências são frágeis, especialmente considerando que o réu não teve envolvimento no crime em questão”. Outro pistoleiro famoso, José Roberto Santos, conhecido como ‘Chico Orelha’ — por arrancar as orelhas das vítimas — também foi implicado no assassinato de João Gondim e faleceu durante o processo.
Cássio Santana permanece detido na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Estado do Ceará, na Região Metropolitana de Fortaleza. Este ano, ele também foi julgado por um homicídio ocorrido em 2003, onde a vítima teve a orelha e a língua decepadas, e posteriormente, Cássio e outro pistoleiro colocaram um cadeado na boca do homem.
De acordo com o Inquérito Policial, no dia 18 de agosto de 2003, Cássio Santana e ‘Chico Orelha’ se dirigiram à oficina da vítima em uma motocicleta vermelha pela manhã. Os assassinos ordenaram que João deitasse no chão e dispararam quatro vezes — duas na cabeça e duas nas costas. Funcionários presentes no local ouviram os tiros e correram para a entrada da loja, onde encontraram João Gondim já sem vida. Após o crime, os dois fugitivos se dirigiram para a zona rural de São João do Jaguaribe (CE), onde se encontraram com Andervânio Aquino, conhecido como ‘Dervan’, que se tornaria uma testemunha crucial no caso.
As investigações indicaram que ‘Dervan’ era amigo íntimo dos pistoleiros e supostamente fazia parte do mesmo grupo criminoso. Ele relatou em depoimento que os assassinos compartilharam detalhes sobre a execução. Outra testemunha, identificada como Raimundo Marinho, revelou que o assassinato de João Gondim foi encomendado por um homem chamado Silvio Guerreiro, que faleceu anos depois. Segundo ele, Silvio era considerado o ‘chefão da cidade’ e estava por trás de outros cinco assassinatos ocorridos nos anos 2000. Todas as vítimas, incluindo João Gondim, tinham desavenças com Silvio e foram mortas de maneira semelhante, conforme detalhou a testemunha: “O pistoleiro chamava as vítimas, mandava deitar no chão e as executava a tiros”.
Silvio Guerreiro teria ordenado a morte de João Gondim após uma discussão na oficina. João havia consertado o motor de um carro de Silvio, que pagou apenas metade do valor. Em uma segunda ocasião, Silvio procurou novamente os serviços de João, que se recusou a trabalhar, alegando que Silvio não pagava corretamente. Quatorze dias após essa desavença, João Gondim foi assassinado.
Em 2009, Cássio Santana foi condenado pelo assassinato do radialista Nicanor Linhares Batista, que foi morto por quatro matadores de aluguel que invadiram o estúdio da Rádio Vale do Jaguaribe, onde ele trabalhava em Limoeiro do Norte. A investigação revelou que o crime teve motivações políticas, uma vez que Nicanor fazia críticas severas à administração municipal — assim como João Gondim, que havia criticado taxas de iluminação cobradas pela prefeitura antes de ser morto. Cássio recebeu R$ 6 mil pela execução de Nicanor, mas, segundo a delação de ‘Dervan’, o pistoleiro apenas realizou o crime em troca da promessa de que um homem identificado como ‘Sargento Edésio’ tentaria revogar uma prisão que pesava sobre ele na cidade de Alto Santo, interior do Ceará.
Além disso, Cássio também foi implicado na chacina de Limoeiro, que ocorreu como uma represália de pistoleiros após a prisão da esposa de um dos membros do grupo. Sete pessoas foram mortas nesse crime, e seis delas tiveram as orelhas arrancadas. O ato aconteceu em 2003 e o julgamento ocorreu em 2011, resultando na condenação de Cássio a 144 anos de prisão por homicídios triplamente qualificados e homicídio duplamente qualificado.