Na última sexta-feira (19), um grupo de agricultores da França demonstrou seu descontentamento ao despejar esterco e outros detritos na frente da casa de praia do presidente Emmanuel Macron. A manifestação expressou a oposição ao pacto entre a União Europeia e o Mercosul, além de abordar outras questões relevantes.
Uma mensagem clara de rejeição ao Mercosul foi deixada em um caixão posicionado em frente à mansão que Macron divide com sua esposa, Brigitte, na cidade costeira de Le Touquet, no norte da França. Os manifestantes descarregaram sacos de esterco, pneus, repolhos e galhos nas proximidades da casa de tijolos vermelhos, que contava com presença de segurança.
Esse protesto ocorreu um dia após manifestações semelhantes em Bruxelas, onde agricultores europeus também se opuseram ao acordo, resultando em episódios de violência (veja o vídeo abaixo).
O acordo comercial visa diminuir ou eliminar tarifas de importação e exportação entre os dois blocos (UE e Mercosul). Após os protestos, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, comunicou aos líderes do bloco que a assinatura do acordo, prevista para este sábado (20), não irá acontecer.
Apesar do adiamento da assinatura para janeiro, anunciado pela União Europeia, os agricultores mantiveram sua mobilização, manifestando também insatisfação com a gestão do governo francês em relação a uma enfermidade bovina. Segundo Benoît Hédin, representante do sindicato agrícola FDSEA, a manifestação de sexta-feira é “simbólica” e se opõe à “atual política europeia”. Ele afirmou que a situação está regredindo, citando o Mercosul e a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) da UE, que visa beneficiar os agricultores.
“Estamos protestando há dois anos e nada muda. Os produtos são importados sem restrições regulatórias e competem conosco a preços que não conseguimos igualar”, lamentou Marc Delaporte, outro agricultor presente na manifestação.
O adiamento do acordo foi motivado pela pressão da França, apoiada recentemente pela Itália, que levou à decisão de postergar a assinatura do pacto originalmente planejada para o próximo sábado durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu. O FNSEA, principal sindicato agrícola francês, considerou a decisão recente “insuficiente”.
“O Mercosul continua sendo um NÃO! Portanto, para barrar o Mercosul, continuaremos mobilizados”, afirmou a entidade em suas redes sociais na quinta-feira. Os agricultores franceses estão preocupados com a possível entrada massiva de carne, arroz, mel e soja da América do Sul no mercado europeu, pois acreditam que os produtos do Mercosul são mais competitivos devido a suas normas de produção menos rigorosas.