Nesta quarta-feira (17), a Venezuela fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU, solicitando uma reunião para debater a “agressão contínua dos Estados Unidos” contra o país, de acordo com uma carta endereçada ao órgão de 15 membros que foi analisada pela Reuters.
Um representante da ONU indicou que a reunião deverá ocorrer na próxima terça-feira (23). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira a imposição de um “bloqueio naval” a todos os petroleiros sancionados que operam no território venezuelano. Essa decisão representa mais uma medida de Washington para intensificar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, atingindo a principal fonte de receita da nação.
Na mesma quarta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu uma “desescalada imediata” das tensões entre os dois países, instando ambas as partes a agirem com cautela. Enquanto isso, Rússia e China manifestaram apoio ao governo de Maduro, com Moscou alertando que as tensões na América Latina podem gerar “consequências imprevisíveis” para o Ocidente, e Pequim se posicionando contra qualquer tipo de pressão unilateral.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, fez um apelo à ONU para que “evite o derramamento de sangue” na Venezuela e se ofereceu para mediar o conflito entre os EUA e a Venezuela. A Alemanha também expressou interesse em prevenir uma deterioração da situação na região.
Bloqueio total de Trump
Em uma plataforma de redes sociais, na terça-feira, Trump acusou os venezuelanos de terem sequestrado petróleo e propriedades dos cidadãos norte-americanos. Segundo ele, a Venezuela está cercada pela “maior frota já reunida na história da América do Sul”.
“Ela só vai crescer, e o impacto para eles será algo sem precedentes — até que devolvam aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram”, afirmou.
Trump também denunciou o presidente Nicolás Maduro por utilizar o petróleo para sustentar o que descreveu como um “regime ilegítimo”, além de estar envolvido em “terrorismo relacionado a drogas, tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros”.
“Devido ao roubo de nossos bens e por diversas outras razões, incluindo terrorismo, contrabando de drogas e tráfico de pessoas, o regime venezuelano foi classificado como uma ORGANIZAÇÃO TERRORISTA ESTRANGEIRA”, escreveu. Com base nessas alegações, o presidente anunciou um bloqueio total a todos os navios petroleiros que estão sob sanções e que entram ou saem da Venezuela. Segundo o site Axios, atualmente, 18 embarcações sancionadas pelos EUA estão presentes em águas venezuelanas.