BRUXELAS — Durante a reunião dos líderes da União Europeia, agricultores e pecuaristas bloquearam ruas com tratores e caminhões, utilizando fogos de artifício como forma de manifestação. A polícia reagiu com gás lacrimogêneo e canhões de água nesta quinta-feira, 18. O foco dos protestos é o acordo de livre comércio com o Mercosul, que gera apreensão entre os produtores locais, preocupados com a possível ameaça a suas fontes de renda e com o impacto político que poderia favorecer a extrema-direita.
Após enfrentar resistência de países como a França em momentos decisivos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitou a aprovação do acordo pelos líderes dos 27 Estados-membros da UE. “É vital que consigamos a aprovação para o Mercosul e que possamos finalizar as assinaturas necessárias”, afirmou a presidente nas proximidades da cúpula em Bruxelas.
O pacto com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que promete criar uma das maiores áreas de livre comércio global, é crucial para a rede de acordos comerciais da União Europeia. Contudo, a ratificação do acordo ainda precisa da aprovação de todos os países da UE antes de se tornar oficial.
O tratado do Mercosul eliminaria tarifas sobre diversos produtos da UE, como automóveis e vinhos, enquanto facilitaria a entrada de produtos, como carne bovina e açúcar, provenientes da região em troca. As divergências internas no bloco têm gerado tensões com o Brasil, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em uma reunião em Brasília na quarta-feira, 17, que o País poderia desistir do acordo caso não seja finalizado em breve. “É complicado, pois Itália e França estão relutantes devido a problemas políticos internos”, comentou. “Já avisei que, se não avançarmos agora, o Brasil não fará mais acordos enquanto eu estiver na presidência.” /Com AP e Dow Jones Newswires